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Bolívia: traficantes precisam de menos folhas de coca para produzir cocaína

Por Por Gerardo Bustillos - 14 dez 2011, 17h19

O uso mais eficiente de produtos químicos permitiu ao narcotráfico na Bolívia usar menos folhas de coca para a mesma quantidade de cocaína, disse o representante do Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC), César Guedes, em entrevista à AFP.

“A produção sofisticou-se nos últimos três anos. É necessário agora muito menos folhas de coca para produzir a mesma quantidade de cocaína. Estamos falando que o rendimento dobrou”, disse o funcionário.

Ele explicou que isso se deve ao fato de os traficantes “estarem usando produtos químicos mais eficientes, capazes de extrair de uma forma mais intensa o alcaloide da folha de coca”.

Trata-se de um assunto de “tecnologia química que não foi desenvolvida para a coca, mas para outras atividades, como a indústria farmacêutica ou petroquímica, mas que se aplica no narcotráfico”, onde se maximizam seus efeitos.

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“A folha de coca não é droga, mas seu processo de transformação é muito simples. Requer poucos aditivos para transformar essa folha em entorpecente”, afirmou Guedes.

Para a fabricação de cocaína, é necessário uma mistura de químicos como ácido sulfúrico, acetona, gasolina, diesel, carbonato de sódio e permanganato de potássio que são utilizados em diferentes fases, como a obtenção de pasta base de cocaína e depois cloridrato.

Autoridades bolivianas afirmaram que os traficantes começaram a usar coca moída e cimento para fabricar drogas.

Guedes declarou que ainda não se pode precisar o rendimento dos novos procedimentos químicos, apesar de se ter certeza de que estão otimizando os reagentes para produzir droga com menor quantidade da planta milenar.

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Segundo as Nações Unidas, são cultivados na Bolívia 31.000 hectares de coca e a profução da folha de coca alcança aproximadamente 55.000 toneladas.

O Departamento de Estado, em um relatório de 2010, afirmava que a Bolívia tinha a capacidade para produzir cerca de 115 toneladas de cocaína.

O governo boliviano, que nunca reconheceu quanta cocaína é produzida no país, afirmou que suas apreensões de drogas durante 2011 beiram as 31 toneladas, entre pasta base e cloridrato, uma quantidade segundo o governo histórica.

Na Bolívia, a lei permite o uso de coca em seu estado natural para a mastigação.

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As plantações do Chapare, no centro do país e reduto político de Morales, rendem mais, porque têm mais espaço para crescer, enquanto que em Yungas, leste de La Paz, rendem menos por estar em terrenos mais acidentados.

O funcionário das Nações Unidas afirmou que esse processo de produção mais sofisticada de drogas é sobretudo resultado da atividade dos traficantes colombianos que transmitiram “know how” ou conhecimento da fabricação da droga a grupos locais de Peru e Bolívia, assessorando-os também sobre estratégias de comercialização.

Há algumas décadas, a coca ou a pasta de cocaína eram levadas de Peru e Bolívia para a Colômbia para sua transformação em cocaína, pelo que os traficantes desse país se beneficiavam diretamente da transformação de uma matéria-prima em produto altamente rentável.

No entanto, após a perseguição às máfias colombianas, estas decidiram emigrar, aliando-se a grupos locais em Peru e Bolívia, possibilitando que as duas nações se tornem também produtores de cocaína.

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A droga de origem peruana é comercializada nos Estados Unidos, enquanto que a cocaína boliviana é vendida principalmente no Cone Sul e entra no Brasil, de onde se dirige à Europa, continente que na última década duplicou seu consumo, sendo Espanha, França, Grã-Bretanha e Alemanha os principais mercados.

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