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Bens do dono da Kiss ainda não foram bloqueados

Até agora, Justiça localizou - e bloqueou - propriedades de apenas um sócio

Por Luis Bulcão, de Santa Maria 8 fev 2013, 10h19

Onze dias após ser deferido o pedido de bloqueio dos bens dos donos da Kiss, feito à Justiça pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, apenas os bens de um dos sócios, Mauro Hoffman, foram bloqueados. Até o momento, nenhuma propriedade de Elissandro Spohr, o Kiko, dono da boate, sofreu qualquer sanção. O nome de Kiko não constava na propriedade do negócio – a boate estava em nome de sua mãe e de sua irmã. Já Hoffman teve bloqueados uma conta com 500.000 reais e quatro imóveis.

Segundo o defensor público Andrei Melo, que atua no caso da tragédia de Santa Maria, a demora na identificação dos bens de Kiko pode ser resultado da lentidão de algumas instâncias, como juntas comerciais de diferentes municípios. Ele cita ainda a demora do Detran e de alguns bancos para responder ao processo. “Pode ser que haja bens já bloqueados, mas sobre os quais ainda não tenhamos recebido ofício”, afirma.

O defensor ainda trabalha com a hipótese de que bens do empresário possam não estar no nome dele – o que dificulta o trabalho da Justiça. “Hoje mesmo estamos avaliando informações de imóveis que não constam no nome deles (de Kiko, sua irmã e sua mãe), mas nos quais há indícios de propriedade”, disse Melo ao site de VEJA. Segundo ele, o bloqueio de bens pode ser realizado mesmo sem a confirmação da posse, o que resultaria em um processo judicial em um segundo momento.

A conta já bloqueada está em nome da boate Absinto, outro estabelecimento do empresário Mauro Hoffman em Santa Maria. A defensoria assegura a manutenção dos bens para que sejam utilizados em futuras indenizações para as vítimas do incêndio. No sábado, haverá uma reunião entre os familiares para estudar a criação de uma associação para representar as vítimas. Segundo Melo, a organização teria os objetivos de criar um elo entre os familiares, atuar na pressão por fiscalização e prevenção de tragédias semelhantes, além de auxiliar em um futuro processo indenizatório.

Por determinação da Justiça, os empresários Kiko Spohr e Mauro Hoffman cumprem prisão temporária na Penitenciária de Santa Maria.

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