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Beagle ‘resgatado’ do Instituto Royal passa fome na rua

Cão foi abandonado após a invasão de ativistas a instituto de testes farmacêuticos. Eles alegavam que os animais sofriam maus tratos

Uma cadela da raça beagle que teria sido levada pelos ativistas que invadiram o Instituto Royal, em São Roque (SP), há dois anos, foi abandonada e agora vive na rua. O animal é alimentado por moradores, mas dorme ao relento e vagueia ao redor da instituição. Desde que foi atacado por militantes dos direitos dos animais, em outubro de 2013, o instituto está fechado. Na ocasião, as instalações foram depredadas – os invasores alegaram que os cães sofriam maus tratos e “resgataram” outros 177 animais.

Os moradores da região têm certeza de que a cadela pertencia ao Royal. “Ninguém tinha beagle aqui na vizinhança”, garante o empresário Isaque Martins, dono de uma companhia localizada ao lado do instituto. Ele acredita que a cadela tenha sido levada por um invasor que, ao saber que a polícia investigava o furto dos animais, decidiu devolvê-la.

Outros habitantes da região acreditam que a beagle fêmea pode ter fugido da casa em que era mantida e voltado para a antiga moradia. Eles colocam ração e alimentos em pontos estratégicos para que o animal não passe fome, mas a cadela dorme na rua, pegou sarna e já foi vista revirando lixo em busca de comida. Alguns moradores tentaram levá-la para casa, mas ela se mostrou arredia.

“Ela está perdendo os pelos, precisa de um veterinário”, disse Martins. O empresário tentou contato com ativistas e organizações protetoras de animais pelas redes sociais, mas não teve retorno. A prefeitura de São Roque informou que enviou uma equipe de zoonoses ao local nesta quarta-feira, mas a beagle não foi encontrada. Moradores suspeitam de que uma ONG teria recolhido a cadela, mas a informação não foi confirmada.

O caso – O Instituto Royal utilizava cães da raça beagle e outros animais em testes para produtos farmacêuticos com autorização dos órgãos da vigilância sanitária, mas passou a ser visado pelos ativistas após denúncias de maus tratos. Na primeira invasão, cerca de cem pessoas, com apoio de black blocs, arrombaram os portões e viveiros e retiraram os cães.

Numa segunda invasão, foram resgatados ratos, coelhos e outros roedores. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o furto dos animais, mas a investigação foi encerrada sem que ninguém fosse acusado.

(Com Estadão Conteúdo)