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Banco cobra empresa de fachada de doleiro

Empresa do doleiro Alberto Youssef, GDF tem dívidas com o Banco Safra

Apontada pela Polícia Federal como uma das empresas de fachada do esquema do doleiro Alberto Youssef, a GFD Investimentos foi intimada nesta sexta-feira a pagar duas parcelas de um empréstimo ao Banco Safra. A cobrança é direcionada a Carlos Alberto Pereira da Costa, laranja do doleiro, também preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal.

Segundo registro da Junta Comercial de São Paulo, a companhia é controlada pelo Devonshire Global Fund, organização bancária baseada na Ásia, com escritórios na Tailândia, Índia, China e Coréia do Sul. De acordo com os policiais que atuam na investigação, para lavar 10 bilhões de reais nos últimos anos, os criminosos fraudavam contratos com a administração pública e simulavam contratos de importação com empresas de fachada para justificar a movimentação dos recursos. Valendo-se de falhas de órgãos de controle na fiscalização, quatro quadrilhas enviaram dinheiro para o exterior simulando operações de importação e exportação, especialmente em negócios na China e em Hong Kong.

Na denúncia da Operação Lava-Jato, Carlos Alberto Pereira da Costa aparece como o principal subordinado de Alberto Youssef. Além de constar como gestor da GFD Investimentos, gerencia empresas de propriedade ou controladas por Youssef, como a Expandir Participações, a Mala Engenharia, Web Hotéis, CSA Project Finance e a Viagens Marsans, uma das maiores operadoras de viagem do país. Em todos os casos, segundo o Ministério Público, Costa tem “envolvimento direto na ocultação e dissimulação dos investimentos realizados pelo grupo criminoso e na titularidade das empresas criminosas”.

A GFD, alvo da cobrança de quase 400.000 reais, também é um elo da quadrilha da Lava-Jato com o escândalo do mensalão. Condenado por envolvimento no mensalão, Enivaldo Quadrado trabalhava na sede da GFD no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, até a Polícia Federal desvendar o esquema de lavagem de dinheiro de Youssef. Quadrado utilizava sua empresa, a Corretora Bônus-Banval, para repassar dinheiro do valerioduto para as lideranças do PP.

No julgamento do mensalão no STF, iniciado em agosto de 2012, Quadrado foi condenado por lavagem de dinheiro. Pelo crime, recebeu pena de três anos e seis meses de prisão, convertida em restrição de direitos, mais multa de cerca de 28.600 reais. Em março deste ano, foi preso na cidade de Assis, no interior de São Paulo, durante a Operação Lava-Jato.

Nos tentáculos do esquema de Youssef, a GFD também é suspeita de integrar um esquema de desvios de recursos das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A companhia teve o sigilo bancário quebrado por decisão da Justiça para que seja possível apurar se recursos repassados para a obra irrigaram o esquema bilionário de lavagem de dinheiro do qual faziam parte o doleiro Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.