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Avó diz que foi agredida pelo pai do menino Bernardo

Em depoimento à Justiça do Rio Grande do Sul, Jussara Uglione disse que levou um chute na perna de Leandro Boldrini

A avó materna do menino Bernardo, morto em abril deste ano, Jussara Uglione, de 73 anos, fez duras acusações contra o pai do garoto, o médico Leandro Boldrini, em audiência no fórum de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira. Em depoimento, ela disse que Boldrini é uma “pessoa fria e calculista” e que ele já havia a agredido em uma ocasião, quando ela esteve na sua clínica para pedir a guarda do menino. “Foi no consultório dele. Foi quando ele me agrediu, me deu um chute na perna. Eu tinha ido pegar uma água para o Bernardo e ele deu o chute. Meu tornozelo ficou roxo”, disse a aposentada. Questionada sobre o motivo de não ter relatado o episódio às autoridades antes, ela respondeu que não queria “criar um escândalo”.

Ela voltou a dizer que a sua filha, Odilaine Uglione, mãe de Bernardo, foi assassinada e não se suicidou, conforme concluiu as investigações da na época. Odilaine foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do consultório de Boldrini em fevereiro de 2010. “Ela era uma menina miúda, magra, não tinha braço para segurar um revólver”, disse ao juiz. A família de Odilaine pede a reabertura do caso.

Questionando o trabalho da polícia, Jussara relatou que conversou com a filha no dia da sua morte. Segundo ela, a mulher estava prestes a se divorciar de Leandro e já havia planejado morar com o filho em uma casa separada. Além disso, a avó destacou atitudes estranhas do médico no velório da filha. De acordo com a sua versão, ele vestia um colete à prova de balas, estava acompanhado de seguranças e filmava o enterro.

Jussara também afirmou que sabia do caso amoroso de Leandro com a madrasta de Bernardo quando a filha ainda era viva. Também afirmou nunca ter sido a favor do namoro de Odilaine e Leandro. A avó de Bernardo foi a última testemunha de acusação a ser ouvida pela Justiça no processo. Seu depoimento foi adiado duas vezes por motivos de saúde. Nos próximos dias, 74 testemunhas arroladas pela defesa serão interrogadas pela Justiça.

Além de Leandro, foram indiciados pelo crime a madrasta, Graciele Ugulin;, a assistente social Edelvânia Wirganovicz e o motorista Evandro Wirganovicz. O corpo de Bernardo foi encontrado enterrado às margens de um rio em Frederico Westphalen (RS), onde os irmãos Wirganovicz moravam. À Polícia Civil, Edelvânia confessou a participação no homicídio e acusou Graciele de ser responsável pela morte. Os quatro réus estão presos desde abril e devem ser ouvidos na Justiça após o depoimento de todas as testemunhas.

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