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Avanços do G20 em 2011 foram ofuscados pela crise econômica europeia

Javier Alonso.

Paris, 1 nov (EFE).- Os compromissos assumidos pelo G20 em 2011, ano no qual o grupo é presidido pela França, foram influenciados pela crise econômica na Europa, e a reunião que será realizada a partir desta quinta-feira, em Cannes, terá como pano de fundo a recessão.

O acordo para salvar a economia grega, firmado no dia 27 de outubro, será examinado com atenção durante o encontro. Os ministros de Finanças do G20 pediram recentemente uma atuação urgente dos países da Eurozona para impedir que a crise na região se alastre pelo resto do mundo.

Antes do agravamento da recessão na Europa, a presidência rotativa do grupo admitiu que os problemas financeiros globais dos últimos anos foram consequência do não cumprimento de normas de regulação financeira. Um dos objetivos do G20 é fazer com que essas regras sejam respeitadas.

Para prevenir novos riscos, Paris adiantou, entre outras intenções, que os membros do G20 deveriam aprovar normas para os mercados de matérias-primas e fazer o possível para que as instituições financeiras não comprometidas pelas reformas já aprovadas sejam afetadas pela crise.

Além disso, a agenda francesa inclui uma melhora na proteção dos consumidores de serviços financeiros, com o objetivo de deixar claro para as pessoas seus riscos e benefícios.

Os membros do grupo disseram que têm uma determinação maior do que nunca para reformar o setor financeiro e atender às necessidades das economias da região. Além disso, afirmam que é necessário aplicar os acordos internacionais (como o da Basileia) sobre regulação bancária, assim como reduzir a influência das agências de classificação de riscos.

Estas declarações foram feitas em outubro logo após as graves consequências do rebaixamento das notas de vários países da Europa pelas agências, o que contribuiu nas últimas semanas para a sensação de piora da crise financeira.

Os líderes do G20 chegarão em Cannes com dados concretos sobre a luta que iniciaram contra paraísos fiscais, que como resultado arrecadou nos dois últimos anos 14 bilhões de euros adicionais em 20 países.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que essa cifra foi resultado da ação impulsionada pelo G20 nos últimos 24 meses. A entidade publicou há alguns dias a lista dos territórios que ainda não cumprem normas de transparência fiscal, entre os quais figuram, por exemplo, Panamá e Uruguai.

Em Cannes, a União Europeia pedirá ao G20 que incentive à criação de uma taxa sobre transações financeiras, o que é uma das principais propostas do comando temporário francês.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, já disse que apoia a iniciativa e propôs a criação de um grupo de países para acelerar esse processo, embora essa medida não conte com aprovação dos Estados Unidos.

Em relação ao preços das matérias-primas, os países do G20 já concordaram em realizar um plano contra a volatilidade dos produtos agrícolas, com uma lista de 56 medidas de reforço e desenvolvimento de instrumentos de gestão de riscos para os governos, empresas privadas e os agricultores.

A presidência francesa defende a regulação do mercado de matérias-primas, sobretudo agrícolas, assim como já foi feito com o petróleo.

Alguns países, no entanto, como Brasil, Argentina e Rússia, rejeitam a regulação dos preços dos grãos e alimentos para controlar o mercado. EFE