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Atirador se entrega após nove horas de negociação

Desde o início da manhã Fernando Gouveia estava escondido em sua casa

Por Letícia Cislinschi e Kamila Hage 18 out 2012, 17h06

Após nove horas de negociações, Fernando Gouveia, 33 anos, que atirou contra três pessoas na manhã desta quinta-feira, se rendeu à Polícia Militar. Ele saiu sem camisa da residência na Rua Castro Alves, no bairro da Liberdade, onde estava escondido desde as 8h30 da manhã.

Marcelo Pignatari, tenente-coronel do 11º Batalhão da PM, foi quem comandou as negociações. Ele afirmou que, durante a rendição, Fernando estava aparentemente calmo, mas com claros sinais de alteração de humor. “Ele ainda está perturbado, percebe-se pelo movimento dos olhos”, disse. O atirador deve responder por tripla tentativa de homicídio e porte ilegal de armas, segundo a polícia.

De acordo com Pignatari, apesar dos ferimentos na cabeça e nos pés – resultado da briga com o enfermeiro na parte da manhã -, o atirador passa bem, e não pretende atentar contra a própria vida. “Em momento algum ele falou em suicídio”, disse.

Fernando sofre de esquizofrenia e atirou contra as vítimas após ter recebido uma ordem judicial de interdição – medida que transmite a responsabilidade por determinada pessoa para os familiares. O delegado Fábio Bonini Ferrão, do 6º DP, informou ao site de VEJA que Fernando não tem passagem pela polícia.

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As vítimas foram encaminhadas para o Pronto-Socorro do Hospital Vergueiro e, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, não correm risco de morrer. A psicóloga foi atingida de raspão no pescoço, o oficial de justiça, no tórax, e o enfermeiro, no rosto. Inicialmente houve a informação de que o homem seria ex-militar das Forças Armadas, o que não se confirmou. Ele está ferido dentro da casa.

A polícia foi acionada por volta das 8h30 e, cerca de 30 policiais cercam o local, que foi isolado até 200 metros ao redor da casa. O Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) começou as negociações por celular, mas passou a falar diretamente com o atirador, que ficou no topo da casa, entre o teto e o telhado. “Ele ainda não fez nenhuma exigência. Apenas diz que não vai se entregar porque o estão perseguindo”, afirmou o tenente-coronel Pignatari.

Assim que chegou ao local, a polícia retirou uma câmera de vigilância da casa, pela qual o homem monitorava os movimentos da PM do lado de fora da residência. Fernando chegou a dar um tiro para fora da casa, quebrando a porta de vidro da residência e atingindo o escudo que protegia os policiais.

Vizinhos – De acordo com Damian Escobar, de 32 anos, vizinho de Fernando, o homem sempre aparentou ser uma pessoa sossegada. Escobar contou que Fernando morava na casa há dois anos e que eles sempre se cumprimentavam quando se encontravam na rua.

Outro morador da região, Eronildo Aguiar disse que por volta das 8h30 ouviu quatro disparos e muitos gritos.

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