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Arretada, Tia Eron aparece, mas não indica voto decisivo: ‘Não mandam nesta nega aqui’

Conselho de Ética da Câmara analisa relatório do deputado Marcos Rogério, que recomenda a cassação do mandato do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha

Por Marcela Mattos 14 jun 2016, 15h51

Depois de passar uma semana escondida, a deputada baiana Tia Eron (PRB) finalmente apareceu nesta terça-feira no Conselho de Ética da Câmara para dar o voto decisivo sobre o parecer que pede a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com um discurso performático e pontuado por frases de efeito, a até então desconhecida deputada atacou os colegas que a criticaram pelo sumiço – mandou o petista Zé Geraldo (PA) “higienizar a boca” -, voltou a acirrar os ânimos no colegiado, mas manteve o suspense sobre o seu voto.

O primeiro frisson foi causado quando Tia Eron, dedo em riste, esbravejou: “Eu respeito todos os presentes aqui. Me surpreendeu os senhores não me procurarem nem sequer citarem meu nome hoje. Entenderam que, de fato, não mandam nessa nega aqui. Nenhum dos senhores mandam”, iniciou o pronunciamento.

Era também uma referência às informações que circularam nos bastidores, segundo as quais seu voto estava em negociação entre aliados de Cunha e a cúpula do seu partido, comandado pelo ministro Marcos Pereira (Indústria e Desenvolvimento). Tia Eron elogiou a liberdade concedida por Pereira para que ela vote conforme sua consciência. Depois, ela disparou contra seus críticos, como Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS), que ironizou sua falta na sessão anterior: “Não fui abduzida!”, cutucou, citando em seguida o pai do parlamentar, que, segundo ela, não teria feito tal gracejo.

“Estamos aqui como julgadores, e como tais, a primeira função que este conselho precisa ter é a capacidade de olhar para dentro de si. Se a perdermos, este conselho precisa ser ressignificado. Eu não compreendo como, depois de sete meses, vossas excelências homens não entendem o que é dar à luz, é quase um filho, por isso chamam Tia Eron para resolver os problemas que os homens não conseguiram resolver”, disse.

Ao concluir o discurso, a deputada ainda citou um conselho recebido por um dos principais adversários de Cunha – muito embora não tenha dado sinais de acompanhá-lo no voto. “Eu quero na tarde de hoje votar com aquilo que o deputado Júlio Delgado em ensinou no dia do voto do impeachment. Disse o irmão dele a ele: ‘Você não está em paz. Você pode brigar com sua mulher, seus eleitores, o Brasil. Mas você não pode brigar com a sua consciência. Vote com a sua consciência’. É o que eu farei nesta tarde”, finalizou Tia Eron.

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