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Araçatuba: uma madrugada de terror

Ao menos duas dezenas de bandidos com explosivos, fuzis e metralhadoras (além de drones, carros blindados e coletes à prova de balas) atacaram a cidade

Por José Benedito da Silva Atualizado em 2 set 2021, 21h48 - Publicado em 4 set 2021, 08h00

Há dias que ficam marcados na história de uma comunidade. Os moradores de Araçatuba, município de 198 000 habitantes no interior de São Paulo, não se esquecerão de segunda-feira 30, quando ao menos duas dezenas de bandidos com explosivos, fuzis e metralhadoras (além de drones, carros blindados e coletes à prova de balas) submeteram a cidade ao terror. Usaram reféns como escudos, explodiram três bancos, incendiaram veículos e trocaram tiros com a polícia por mais de duas horas (no flagrante da imagem acima, dois bandidos em ação). O saldo foi trágico: dois residentes mortos (além de um suspeito), ao menos seis feridos (um teve os pés amputados) e uma população traumatizada. Na terça-feira, a região central foi interditada, o comércio fechou e as aulas foram suspensas até que a polícia localizasse nada menos que 98 explosivos espalhados pelos criminosos em fuga. Cinco suspeitos foram presos nos dias seguintes. A PF entrou na investigação, até porque esse tipo de ação se tornou comum no país, sempre com o mesmo padrão: atacar cidades médias, com razoável rede bancária e uma estrutura policial modesta. O modus operandi rendeu ao ataque o rótulo de “novo cangaço”. O “velho cangaço” acabou sendo sufocado por uma ofensiva ordenada por Getúlio Vargas e as cabeças dos bandidos foram expostas como símbolo da vitória. Desta vez, o triunfo só virá com inteligência policial, aparelhamento das forças de segurança e uma investigação séria que aponte quem dá estrutura a esse tipo de terrorismo.

Publicado em VEJA de 8 de setembro de 2021, edição nº 2754

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