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Após escolha de Ideli, oposição vê governo sem rumo

Falta de habilidade do Planalto na relação com Congresso é alvo de críticas de parlamentares oposicionistas. Figura de Ideli Salvatti, no entanto, é poupada

Por Gabriel Castro e Adriana Caitano 10 jun 2011, 16h42

A oposição reagiu com ceticismo à nomeação de Ideli Salvatti para a articulação política do governo. A nova ministra de Relações Institucionais já foi deputada estadual e senadora, mas nunca passou pela Câmara dos Deputados e tem fama de inflexível.

Para o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), a escolha evidencia a falta de planejamento do governo: “É o resultado daquilo que nós conhecemos: a dificuldade do atual governo em se articular politicamente com sua base de apoio no Congresso Nacional”.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), também acredita que o Planalto perdeu o rumo. “O governo está claudicante, com a presidente demonstrando insegurança, as ações são confusas e a articulação política está comprometida. Qualquer nome é ótimo para a oposição – não temos preferência por nenhum modelo de coordenação, até porque temos que ter uma faixa própria para a nossa atuação no Congresso”, analisa.

Traquejo – O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN) acredita que a escolha de Ideli pode se revelar uma boa opção. “Ela tem experiência e traquejo”, afirma. Ele acredita que o bom funcionamento da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) não depende apenas da atuação da responsável pela pasta: “O problema está na sintonia do governo com os partidos da base. O importante é saber o que os partidos governistas estão achando.”

Base aliada – O senador petista Paulo Paim (RS) comemorou a escolha de uma pessoa do quadro do Senado para a SRI. “Os últimos ministros eram deputados e dificilmente iam ao Senado ou conheciam sua dinâmica”, diz. “Ideli foi escolhida líder da bancada diversas vezes por unanimidade, graças à sua forma de articular. Ela conhece bem nossas reclamações de falta de diálogo com o Planalto.”

Já o governista Sandro Mabel (PR-GO) admite que ficaria mais feliz com um deputado no posto. Mas vê qualidades em Ideli: “Eu preferia alguém ligado à Câmara. Mas tenho um bom relacionamento com a Ideli. Ela tem agilidade, conhece bem a política. É preciso ver se ela tem coragem de encarar a presidente.”

Os integrantes da base aliada que andavam incomodados com a demora para um desfecho para a crise acreditam que a decisão desta sexta-feira encerra o momento crítico do governo. “Finalmente poderemos discutir os grandes temas do país, como o Código Florestal, as reformas tributária e política e o rito das Medidas Provisórias, e não mais ficar debatendo se fulano fica ou sai”, destaca Paulo Paim. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), emitiu uma nota saudando a nova escolhida. “À ministra Ideli Salvatti, cuja experiência parlamentar é reconhecida nacionalmente, coloco-me à disposição, desde já, para iniciarmos as conversas necessárias para que a articulação política entre o Executivo e o Legislativo federal prossiga acontecendo de maneira independente, respeitosa e produtiva”, diz o texto.

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