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Ao lado do estádio de abertura da Copa, 2.500 pessoas invadem terreno em tempo recorde

A invasão, batizada de ‘Copa do Povo', ocupa um terreno de 150.000 metros quadrados na Zona Leste. Tendas foram montadas em 40 horas

Por Da Redação 5 Maio 2014, 10h22

Com cerca de 2.500 barracos montados em menos de 40 horas, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto batizou o espaço invadido em um terreno na Zona Leste da capital paulista de “Copa do Povo”. A ocupação iniciada no sábado, no Parque do Carmo, fica a apenas quatro quilômetros da Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão, estádio que abrigará a cerimônia de abertura da Copa do Mundo. Centenas de famílias montaram suas tendas em um terreno particular de 150.000 m² que estava desocupado há 29 anos.

Quem coordena a ocupação do terreno é Guilherme Boulos, líder do MTST que também comandou as ocupações Faixa de Gaza e Nova Palestina, ambas na Zona Sul da capital paulista. Agora, o movimento quer pressionar a Câmara Municipal de São Paulo a incluir o terreno invadido em Itaquera como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) no Plano Diretor, em discussão no Legislativo municipal. Isso reservaria a área para a construção de conjuntos habitacionais destinados às famílias da ocupação.

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Boulos também está incentivando as famílias a compartilhar notícias e fotos da ocupação nas redes sociais para pressionar o poder público. Os líderes do MTST dizem para as pessoas ainda não ligarem as fiações clandestinas por causa do risco de incêndio. Os sem-teto que ocupam o terreno, localizado na Rua Malmequer do Campo, são formados por moradores de áreas de risco e favelas.

Desde o ano passado, a cidade de São Paulo registra um aumento no número de invasões de imóveis por sem-tetos. No primeiro ano de governo, o prefeito Fernando Haddad (PT) fez 81 decretos de áreas de interesse social, para que sejam construídas moradias populares.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto é um braço do MST. Como já mostrou VEJA em diversas reportagens, o MST é comandado por agitadores profissionais que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, se valem de uma multidão de desvalidos como massa de manobra para atingir seus objetivos financeiros. Sua arma é o terror contra fazendeiros e também contra os próprios assentados que se recusam a cumprir as ordens dos chefões do movimento e a participar de saques e atos de vandalismo. Com os anos, o movimento passou por um processo de mutação. Foi-se o tempo em que seus militantes tentavam dissimular as ações criminosas do grupo invocando a causa da reforma agrária. Há muito isso não acontece mais. Como uma praga, o MST ataca, destrói, saqueia – e seus alvos, agora, não são mais apenas os chamados latifúndios improdutivos.

(Com Estadão Conteúdo)

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