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Amigo de garoto morto pela PM entra em programa de proteção e sai de SP

Advogado de conselho dos direitos humanos afirmou que o garoto, que presenciou o crime e já deu três versões diferentes às autoridades policiais, foi ameaçado de morte

J.E.S.A., o menino de 11 anos que presenciou a morte do companheiro Ítalo, de 10 anos, há duas semanas, foi incluído nesta quinta-feira no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM). Ele, a mãe e os três irmãos mudaram de Estado já no início desta tarde, segundo o advogado representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), Ariel de Castro Alves, que intermediou a ação junto à Secretaria da Justiça e da Cidadania do Estado de São Paulo. A solicitação foi protocolada pelo Conselho Tutelar ontem e acatada pela secretaria nesta quinta.

Ítalo foi baleado no rosto no dia 2 de junho, enquanto fugia da Polícia Militar em um carro roubado na Zona Sul de São Paulo. Os policiais teriam revidado a tiros disparados pelo garoto, conforme a versão da PM, que o amigo primeiro confirmou, depois contestou. Segundo o advogado da Condepe, a criança lhe contou que foi ameaçada de morte pelos policiais que participaram da ação. “Ele é uma vítima sobrevivente que precisa de proteção. Nós entendemos que o menino, como ele mesmo já relatou, foi ameaçado de morte no dia da ocorrência e foi agredido também”, disse Alves.

Considerado peça-chave para elucidação do caso, o menino já apresentou três relatos diferentes às autoridades policiais. Na primeira, corroborou a versão dos PMs, dizendo que Ítalo atirou contra eles três vezes, uma com o carro parado. Na segunda, afirmou que os disparos foram feitos apenas com o veículo em movimento. E na terceira, que estavam desarmados e que o revólver calibre 38 encontrado na mão de Ítalo foi “plantado” pelos policiais.