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Amapá: a carga pesada do apagão

A crise não foi só de energia: foi também de gestão, de respeito à população e da normalidade política

Por José Benedito da Silva Atualizado em 19 nov 2020, 13h23 - Publicado em 20 nov 2020, 06h00

No dia 3 de novembro, um incêndio atingiu a principal subestação de energia do Amapá, causando um blecaute no estado. Além de expor a fragilidade do sistema e a ineficiência das autoridades, o acidente mergulhou a população no caos e no desespero. Após quatro dias, o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) apareceu no local para dizer que tudo estaria 100% restabelecido em uma semana, o que não ocorreu. Pior: na última terça, 17, houve um novo apagão. Considerando que ainda não se sabe a causa do primeiro, foi desanimadora a nota da pasta de Albuquerque dizendo que “as razões dos desligamentos estão sendo verificadas e a apuração de responsabilidades será feita”. Como não havia um transformador reserva pronto para o uso, foi preciso levar um equipamento emergencial de 100 toneladas de Laranjal do Jari (AP) a Macapá, um percurso de quase 300 quilômetros. A meta é colocá-lo em operação até 26 de novembro, o que é desalentador para quem há mais de duas semanas enfrenta todo tipo de infortúnio, da falta de produtos básicos ao aumento da violência e da revolta — após a nova falha, houve nove protestos só na capital. Além de ficarem sem alimento, água, internet e telefone, os moradores não tiveram eleição, que foi adiada só na capital, onde o senador Davi Alcolumbre (DEM) tenta eleger o irmão como prefeito. Na crise, Josiel Alcolumbre perdeu 9 pontos no Ibope e ganhou o mesmo em rejeição. Por isso oito rivais pedem a votação já em 29 de novembro — e não em 13 de dezembro, como quer a Justiça — para aproveitar a fúria do eleitor com todo o caos. O apagão não foi só de energia: foi também de gestão, de respeito à população e da normalidade política.

Publicado em VEJA de 25 de novembro de 2020, edição nº 2714

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