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Advogado do presidente Bolsonaro é acusado de racismo

Funcionária de uma pizzaria em Brasília disse que foi chamada de “macaca” por Frederick Wassef

Por Thiago Bronzatto, Hugo Marques Atualizado em 11 nov 2020, 23h36 - Publicado em 11 nov 2020, 21h24

Na noite desta quarta-feira, 11, a garçonete Danielle da Cruz Oliveira foi à 1ª Delegacia de Polícia, em Brasília, para registrar um boletim de ocorrência contra Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro. Com voz trêmula, ela relatou em seu depoimento que, enquanto trabalhava numa pizzaria em Brasília, foi chamada de “macaca” por Wassef.

A ofensa, segundo ela, ocorreu no Pizza Hut no Shopping Pier 21 no último domingo, 8, por volta das 21h, quando o advogado, ao ir embora, encontrou com a garçonete no caixa. “(Ele) começou a reclamar, dizendo: ‘Essa pizza não tá boa! Você comeu?’”, contou à polícia Danielle. Na sequência, Wasseff retrucou dizendo, agora em voz alta: “Você é uma macaca! Você come o que te derem!”, narrou a vítima.

Inconformada com a situação, Danielle respondeu: “Você não é melhor do que ninguém. Você é o único que reclamou da pizza”. De acordo com ela, Wassef encerrou a conversa, dizendo: “De onde eu venho, serviçais não falam com o cliente”. O episódio foi testemunhado por outros funcionários, de acordo com o boletim de ocorrência a que VEJA teve acesso.

Reprodução/Reprodução

Em depoimento à polícia, o gerente da pizzaria, Eduardo Alves do Santos, confirmou que ouviu claramente Wassef chamando Danielle de “macaca e a humilhando”. “Isso é caso de polícia”, advertiu  o funcionário do restaurante. Mas, segundo, ele, o advogado “não deu ouvidos e foi embora”.

De acordo com a garçonete, que fez uma denúncia de injúria racial, essa não teria sido a primeira vez em que ela foi ofendida por Wassef. Em seu depoimento, Danielle relembrou que, em outubro, o advogado teria dito: “Não quero ser atendido por você. Você é negra e tem cara de sonsa e não vai saber anotar o meu pedido”.  A vítima também contou que teria sido segurada pelo braço e que, descontrolado, Wassef teria jogado uma caixa de pizza no chão, ordenando que ela pegasse.

Procurado, Wassef nega as acusações da funcionária da Pizza Hut. “Isso é mentira, nunca chamei ninguém de macaco na minha vida”. Procurada, a vítima não quis se manifestar. O advogado da Pizza Hut em Brasília, Bernardo Fenelon, disse que Daniele “espera que a Justiça seja feita” e que, por respeito à autoridade policial, não pode dar mais detalhes do caso.

Agora há pouco, o advogado Frederick Wasseff divulgou a seguinte nota:

Tudo o que foi dito pela funcionária do pizza Hut são mentiras e calúnias contra minha pessoa. Sou vitima de uma farsa e de uma armação montada, organizada sob orientação de terceiros visando futura causa indenizatória para ganhar dinheiro através de fraude arquitetada. Não chamei ninguém de macaco. A funcionaria não é negra e mentiu afirmando que eu a chamei de negra e por isto não queria ser atendido por ela.  Ela fez um um boletim de ocorrência três dias após o fato narrado, levou fotógrafo e divulgou para a imprensa imediatamente. Existem seguranças na porta da pizzaria e também a poucos metros do local, na entrada do shopping. Se fosse verdade o que a funcionaria afirmou falsamente, teriam me filmado e prendido em flagrante. Outra mentira é  que outros funcionários teriam testemunhado o fato narrado por ela. Ela estava sozinha no caixa e ninguém estava perto. Apenas parei no caixa para pagar a conta e fui embora. Vou comunicar à polícia o crime de denunciação caluniosa do qual fui vitima .

 

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