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Advogado acusa Demóstenes Torres de ameaçá-lo de morte

Ameaças começaram depois de projeto frustrado entre o advogado Neilton Cruvinel e o ex-senador; Demóstenes teria dito que iria "degolar" o desafeto

Por Da Redação - 24 jan 2014, 09h42

O advogado Neilton Cruvinel registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Goiás no qual acusa o ex-senador Demóstenes Torres de tentar agredi-lo e de ameaçá-lo de morte. Cruvinel é o primeiro defensor de Demóstenes no processo em que ele pode perder o cargo de procurador de Justiça. O boletim de ocorrência foi registrado no dia 19 de dezembro.

Nesta quarta-feira, Demóstenes foi acusado, e virou réu, de corrupção passiva e advocacia administrativa – uso indevido de facilidades do cargo. De acordo com a acusação, ele recebeu 5 milhões de reais do contraventor Carlinhos Cachoeira, além de outras vantagens. A ligação com Cachoeira – réu por corrupção ativa – levou à cassação do mandato de Demóstenes no Senado, em 2012.

No boletim de ocorrência, Cruvinel registrou que, após frustrado um projeto entre ele e Demóstenes para montarem um escritório de advocacia juntos, o ex-senador “passou a agir de forma dissimulada, visando prejudicar a relação” de Cruvinel com conhecidos de ambos.

Versões – Segundo o advogado, Demóstenes se aproveitou de um desentendimento financeiro entre Cruvinel e o empresário Maurício Sampaio para “fomentar a discórdia” entre os dois. Na versão de Cruvinel, o ex-senador disse que Sampaio se sentia prejudicado no acerto financeiro e por isso estaria disposto a matar o advogado. Segundo versão apresentada à polícia, Demóstenes teria dito a Sampaio que Cruvinel é quem se sentia prejudicado no acerto e, por isso, decidiu agredir o empresário com um tapa na cara.

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Encontro – O advogado relatou que Demóstenes o chamou para um encontro no seu apartamento em 13 de dezembro e, ao chegar, se deparou com Sampaio e Carlinhos Cachoeira. Na versão de Cruvinel, Demóstenes o xingou, dizendo que tinha feito intrigas, e o acusou de ter dito a várias pessoas que o escritório de advocacia não seria só deles, mas também de Cachoeira.

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Cruvinel declarou que Demóstenes tentou agredi-lo, porém foi contido por Sampaio e por Cachoeira. Ele disse que só conseguiu sair do apartamento porque o ex-senador era contido pelo empresário, mas Demóstenes se desvencilhou e segurou a porta do elevador para dizer que iria “matá-lo, degolá-lo e que iria acabar com sua vida”. Cruvinel disse que “não tinha como deixar de relatar essa ameaça porque sabe que é real, que Demóstenes planeja atentar contra sua vida”.

Procurado, Demóstenes Torres afirmou que dois advogados comentariam a suposta ameaça. Porém, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que apenas defende o ex-senador no processo no Tribunal de Justiça de Goiás e que não tinha conhecimento do caso. Pedro Paulo Medeiros também afirmou desconhecer as ameaças, e disse que Neílton Cruvinel “talvez tenha ficado inconformado” por sair do caso em que defendia o ex-senador. Carlinhos Cachoeira nega ter participado da reunião e Maurício Sampaio não foi encontrado.

(Com Estadão Conteúdo)

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