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A guerra da Mangueira agora é política

Comandante de UPP estranha versão de que homens armados invadiram quadra da escola de samba. Candidato da oposição acusa presidente Ivo Meirelles de criar história para evitar derrota nas urnas

Por Rafael Lemos 30 mar 2012, 18h16

A denúncia do presidente da Estação Primeira de Mangueira, Ivo Meirelles, de que traficantes armados invadiram a quadra da escola, em frente a uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), para tirá-lo do poder soa como um enredo pouco inspirado. O comandante da UPP, Capitão Leonardo Nogueira, afirma que nenhum policial militar observou qualquer movimentação atípica no local, na tarde da última quarta-feira, e estranha que o dirigente tenha preferido procurar a imprensa antes da polícia.

“É de se estranhar que pessoas sejam ameaçadas e ninguém nos procure, sendo que temos uma viatura e uma cabine na porta da quadra. Certamente, se entrassem homens armados lá, nossos policiais perceberiam a movimentação”, avalia o comandante, que não descarta a hipótese de se tratar de um factóide eleitoral. “Isso, sem dúvida, será investigado pela Polícia Civil”.

Na versão do atual presidente, que tentará a reeleição no pleito marcado para 28 de abril, os traficantes defendem que o comando da escola fique com o advogado Marcos Oliveira – que supostamente teve a inscrição negada em função de irregularidades de membros da sua chapa. Oliveira, que prestou depoimento na 17ª DP (São Cristóvão), nesta quinta-feira, afirma que apresentou na delegacia a documentação que comprova a inscrição de sua chapa para o pleito.

“A Mangueira não quer mais o Ivo. Como ele sabe que vai perder a eleição, está tentando fazer de tudo. Mas eu não vou esmorecer. Vou disputar a eleição”, disse Oliveira.

O candidato da oposição também confirma os rumores de que Ivo Meirelles tentou reformular o colégio eleitoral para facilitar sua reeleição. A estratégia consistiria em expulsar os membros que estão com a mensalidade atrasada, a maioria oposicionistas que se afastaram da agremiação desde que Ivo assumiu. A medida está prevista no regimento interno, mas Oliveira argumenta que as expulsões devem ser submetidas à aprovação do Conselho Deliberativo e a uma assembleia geral.

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“Ele expulsou 80% dos sócios de forma irregular, sem avisá-los antes. Quer manter só quem entrou durante o mandato dele, a partir de 2009. Mas acredito que nem esses vão votar nele devido à péssima administração que tem feito”, disse o advogado.

A chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, determinou abertura de inquérito para apurar o caso. A convite da delegada Monique Vidal, o presidente Ivo Meirelles foi à 17ª DP, ontem, prestar depoimento. Na saída, o sambista disse que continua no cargo.

“Eu só quero dizer para vocês que continuo presidente da Mangueira. E vim aqui para atentar restabelecer a ordem. As eleições vão acontecer”, declarou.

Ligações perigosas – Ivo, que acusa o rival de envolvimento com o tráfico, também já teve que ir a público para se defender da suspeita de manter ligações com criminosos. Em 2008, foi descoberta a existência uma passagem secreta que ligava o camarote da bateria a uma das casas compradas por Ivo nos fundos da quadra, e serviria de acesso para traficantes.

A suspeita da polícia era que o traficante Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, foragido na ocasião, utilizava a passagem para entrar na quadra. Ivo, que era presidente da bateria mangueirense, foi ouvido pela polícia e negou a história.

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