Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Por que um post sobre arquitetura africana viralizou no Twitter

Postagem que mostra a variedade de estilos arquitetônicos surpreendeu os internautas; especialistas, no entanto, alertam para risco de generalização

Uma série de posts sobre arquitetura africana viralizou recentemente no Twitter. Um usuário da rede social que não tem seu nome identificado postou imagens com cores e formas que chamaram a atenção dos internautas. “Percebi que a arquitetura da África não é tão divulgada quando a comparamos com a da Ásia, da Europa, do Oriente Médio e da Índia”, escreveu. Muitos concordaram com ele: o post teve mais de 400.000 curtidas e 145.000 comentários. Confira:

Por trás de tanta beleza, há uma controvérsia. Para o professor de arquitetura da UERJ especializado em África, Roberto Conduru, é importante ressaltar a diversidade africana. O continente é composto por centenas de etnias que têm uma cultura, um modo de viver e, consequentemente, uma arquitetura próprios. Não é possível rotulá-los da mesma maneira, diz ele. Para o professor, falar em arquitetura africana é como falar sobre arquitetura sul-americana e “colocar a arquitetura inca, a modernista colombiana e um prédio da Avenida Paulista em um mesmo saco. Não faz o menor sentido”, afirma. 

O fotógrafo especializado no continente, Milton Guran, afirma que uma arquitetura tradicional africana não existe. O território é composto por diferentes culturas e, por isso, não é possível generalizar. O estudioso afirma que cada povo tinha o seu tipo de material disponível e as suas necessidades a serem atendidas. “Depois da colonização houve uma certa padronização, por causa da influência estrangeira. Hoje o que existe são nuances de estilo”, diz.  

Ambos ressaltam que a divisão cultural africana não é a mesma que a divisão política do continente. “Existem diversos grupos étnicos em um país e um grupo étnico em diversos países”, afirma o professor. Por isso é complicado dividir a cultura africana tendo como base os países, aponta.

A falta de valorização e de conhecimento sobre o continente africano, segundo Conduru, vem de um estigma de que esta é uma região atrasada. Segundo ele, o preconceito é originado do tráfico de escravos africanos, da colonização e da dominação que esses povos sofreram durante tanto tempo.

Construção localizada na Núbia

Construção localizada na Núbia (Reprodução/Twitter)

Construção localizada no Egito

Construção localizada no Egito (Reprodução/Twitter)

Construção localizada em Madagascar

Construção localizada em Madagascar (Reprodução/Twitter)

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s