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Por que um post sobre arquitetura africana viralizou no Twitter

Postagem que mostra a variedade de estilos arquitetônicos surpreendeu os internautas; especialistas, no entanto, alertam para risco de generalização

Por Clara Valdiviezo - 4 Sep 2019, 19h39

Uma série de posts sobre arquitetura africana viralizou recentemente no Twitter. Um usuário da rede social que não tem seu nome identificado postou imagens com cores e formas que chamaram a atenção dos internautas. “Percebi que a arquitetura da África não é tão divulgada quando a comparamos com a da Ásia, da Europa, do Oriente Médio e da Índia”, escreveu. Muitos concordaram com ele: o post teve mais de 400.000 curtidas e 145.000 comentários. Confira:

Por trás de tanta beleza, há uma controvérsia. Para o professor de arquitetura da UERJ especializado em África, Roberto Conduru, é importante ressaltar a diversidade africana. O continente é composto por centenas de etnias que têm uma cultura, um modo de viver e, consequentemente, uma arquitetura próprios. Não é possível rotulá-los da mesma maneira, diz ele. Para o professor, falar em arquitetura africana é como falar sobre arquitetura sul-americana e “colocar a arquitetura inca, a modernista colombiana e um prédio da Avenida Paulista em um mesmo saco. Não faz o menor sentido”, afirma. 

O fotógrafo especializado no continente, Milton Guran, afirma que uma arquitetura tradicional africana não existe. O território é composto por diferentes culturas e, por isso, não é possível generalizar. O estudioso afirma que cada povo tinha o seu tipo de material disponível e as suas necessidades a serem atendidas. “Depois da colonização houve uma certa padronização, por causa da influência estrangeira. Hoje o que existe são nuances de estilo”, diz.  

Ambos ressaltam que a divisão cultural africana não é a mesma que a divisão política do continente. “Existem diversos grupos étnicos em um país e um grupo étnico em diversos países”, afirma o professor. Por isso é complicado dividir a cultura africana tendo como base os países, aponta.

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A falta de valorização e de conhecimento sobre o continente africano, segundo Conduru, vem de um estigma de que esta é uma região atrasada. Segundo ele, o preconceito é originado do tráfico de escravos africanos, da colonização e da dominação que esses povos sofreram durante tanto tempo.

Construção localizada na Núbia Reprodução/Twitter
Construção localizada no Egito Reprodução/Twitter
Construção localizada em Madagascar Reprodução/Twitter
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