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Falamos com o motorista do Uber que gravou um morador de rua sendo agredido em São Paulo

Uma gravação de sete segundos está indignando a internet. A filmagem mostra um morador de rua sendo agredido, enquanto dormia, por um homem engravatado que passava, junto a um grupo, na rua Joaquim Gustavo, no bairro da República, em São Paulo. Confira o vídeo, registrado pelo motorista do Uber Maicon Campos, de 25 anos, na […]

Por Talissa Monteiro Atualizado em 30 jul 2020, 21h36 - Publicado em 11 out 2016, 17h00

Uma gravação de sete segundos está indignando a internet. A filmagem mostra um morador de rua sendo agredido, enquanto dormia, por um homem engravatado que passava, junto a um grupo, na rua Joaquim Gustavo, no bairro da República, em São Paulo.

Confira o vídeo, registrado pelo motorista do Uber Maicon Campos, de 25 anos, na última sexta-feira (7):

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmaicooncampos%2Fvideos%2F580874745448247%2F&show_text=1&width=560

Maicon havia deixado um passageiro na região e estava parado na rua esperando por uma nova chamada, quando o agressor passou acompanhado de dois colegas. Ele conta que o homem de camisa social azul foi o primeiro a chutar o morador, mas que ele só conseguiu gravar a segunda agressão.

Ao #VirouViral, o motorista contou como foi o momento:

Por que você resolveu gravar a agressão? Vi que o morador de rua foi agredido sem nada ter feito. Nem depois do chute ele se defendeu. Como eu já estava com o celular na mão, tive o impulso de filmar. Quando os homens estavam indo embora, porém, foi que conclui que eles não poderiam sair impunes dessa. Corri atrás.

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Você queria tirar satisfação? Não. Minha intenção era descobrir onde eles trabalhavam e, com isso, poder denunciá-los. Mas quando virei a esquina, seguindo-os, notei que eles estavam conversando com um policial. Sem pensar, me intrometi na conversa e contei o que acabara de ver.

O que o policial fez? Ele relatou que não podia fazer nada porque não havia pego os indivíduos no flagrante. Isso apesar de eu ter mostrado o vídeo para ele, com a cena de violência. Não adiantou. O policial acabou me mandando à delegacia mais próxima, para registrar a ocorrência. Fiquei indignado porque eu estava com a prova na mão e os culpados estavam na frente dele. Tentei ir em outra base policial, mas me disseram a mesma coisa.

E você registrou a ocorrência? Não. Sabia que ia dar em nada. Por isso decidi postar o vídeo no Facebook, uns 30 minutos depois do ocorrido. Queria mostrar aos meus amigos como eu estava indignado com aquilo. A gravação teve repercussão, primeiro, na minha timeline, mas só entre os meus conhecidos. Viralizou, mesmo, depois, quando o comediante Gerson Carneiro (famoso na internet) e o ator global Cauã Reymond compartilharam o post.

Você não ficou com medo de sofrer represálias? No momento da gravação, um pouco. Não fui defender, fisicamente, o morador de rua porque eles estavam em três e também percebi que não iam bater mais nele. Quando fui falar com eles, me senti seguro porque o policial estava junto. Porém, o único homem que não chutou a vítima fotografou a placa do meu carro. Mesmo assim, não tenho medo porque ele não sabe mais nada de mim além disso.

Então, você não se arrepende de ter gravado o vídeo? Não. Mas tenho receio do agressor sofrer alguma retaliação agora que o vídeo viralizou. No momento do ato, o morador de rua não fez, absolutamente, nada. Porém, não sei o que aconteceu antes. Os culpados têm que ser julgados pela Justiça e não por alguém que decidir fazer o mesmo que eles fizeram: partir para a violência, por conta própria.

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