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Geraldo Alckmin, sobre o pronunciamento de Bolsonaro: “Barbaridade”

Ex-governador e médico também critica empresários contrários à quarentena

Por João Batista Jr. Atualizado em 25 mar 2020, 18h35 - Publicado em 25 mar 2020, 18h20

Médico, ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência da República na eleição de 2018, Geraldo Alckmin endossa as críticas ao pronunciamento de Jair Bolsonaro em rede nacional. O presidente quer o encerramento da quarentena de pessoas com menos de 60 anos e o retorno das aulas. De seu sítio em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, Alckmin falou a VEJA:

Enquanto político e médico, como o senhor avalia o discurso proferido por Jair Bolsonaro? Desde segunda, 23, após gravar um quadro de saúde para o canal Band, eu vim para o sítio em Pindamonhangaba. Não assisti ao que ele disse, pois a TV aqui não pega bem, mas sei do que está falando. O que Bolsonaro declarou é uma barbaridade. Um vírus novo não tem vacina para combatê-lo, então só há um caminho para pensar no bem coletivo: evitar o pico da contaminação. O presidente deveria dar o exemplo, mas o que ele faz é atrapalhar.

Alguns empresários, como Junior Durski, da rede Madero, criticam a quarentena total como forma de evitar uma recessão econômica, mesmo que a pandemia acarrete em mais de 7.000 mortes. Como o senhor avalia? Para achatar a curva de contaminação, é preciso ter a quarentena. O que eles falam, portanto, não tem sentido algum. O que faz a diferença para evitar contaminação e recessão econômica é uma boa política pública. Política não é feita por headhunter, mas por alguém que pensa no bem estar da população.

O que o senhor sugere neste momento? Ficar em casa e também a tomar a vacina da gripe. Ela não imuniza para a Covid-19, mas evita que pessoas peguem pneumonia e precisem ir para os hospitais.

O presidente Bolsonaro recomenda a retomada das aulas. O senhor concorda? Isso não faz o menor sentido. Embora o coronavírus tenha uma ação pequena em crianças, os mais novos transmitem o vírus para outras pessoas.

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