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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Hipnos, Morfeu e o sono das palavras

Por Sérgio Rodrigues - Atualizado em 31 jul 2020, 05h14 - Publicado em 8 out 2013, 17h00

Os irmãos Sono e Morte, pintura do inglês John William Waterhouse

Os irmãos Sono e Morte, pintura do inglês John William Waterhouse

O sucesso popular da expressão “nos braços de Morfeu”, velho chavão classicista que significa “adormecido”, leva muita gente a acreditar que, na mitologia grega, fosse Morfeu o deus do sono. Na verdade, ele era filho do deus do sono, chamado Hypnos, palavra grega que significa simplesmente sono – um deus que era conhecido como Somnus em latim.

Hipnos (ou Hipno), filho da deusa primitiva Nyx, a Noite, tinha um irmão – gêmeo, segundo alguns relatos, ou meio-irmão, segundo outros – chamado Thánatos, isto é, a Morte. Vivia dormindo numa caverna pela qual corria o rio Lete, o “rio do esquecimento”. Entre os muitos filhos que lhe são atribuídos, Morpheus é o mais famoso – assim chamado por ter a capacidade de assumir qualquer forma humana para aparecer nos sonhos dos mortais.

E por que todo esse papo mitológico agora? Apenas para falar de duas das palavras a que pai e filho deram origem. Foi a Hipno que recorreu o médico escocês James Braid em 1843, ao batizar como hypnotism (hipnotismo) sua técnica de indução de um transe semelhante ao sono.

No início do mesmo século, em 1806, o farmacêutico alemão Friedrich Sertüner tinha recorrido a Morfeu para dar nome ao principal alcaloide do ópio, que acabara de isolar pela primeira vez, chamando-o morphium ou morphin – palavra que, via francês, chegaria ao português em 1841 como morfina.

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