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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Catarata, cachoeira, cascata: por que tantas palavras?

Foz do Iguaçu: cataratas, quanta água! “Sérgio, por que tantos nomes para a mesma coisa: catarata – cachoeira – queda d’agua – cascata?” (Ricardo Luiz Campos) Há duas respostas – uma simples, a outra um pouco mais complicada – para a pergunta de Ricardo Luiz. A simples: ora, porque o português é uma língua de […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 05h49 - Publicado em 8 jul 2013, 15h23

Foz do Iguaçu: cataratas, quanta água!

“Sérgio, por que tantos nomes para a mesma coisa: catarata – cachoeira – queda d’agua – cascata?” (Ricardo Luiz Campos)

Há duas respostas – uma simples, a outra um pouco mais complicada – para a pergunta de Ricardo Luiz. A simples: ora, porque o português é uma língua de cultura de vocabulário rico em que palavras de origem popular convivem com termos de formação erudita, alguns de uso exclusivamente literário – sorte nossa, pois uma cachoeira de sinônimos nunca fez mal a ninguém.

Às palavras listadas acima podemos acrescentar outras de uso comum ou raro – catadupa, salto, tombo, queda, cachão – e nem assim esgotaremos o assunto.

A resposta menos simples começa apontando um equívoco na pergunta: quem disse que todos esses nomes se referem à mesma coisa? Recentemente têm aparecido aqui na coluna consultas que deixam entrever uma crença nos sinônimos como vocábulos que teriam perfeita identidade de sentido. Não é assim que funcionam os sinônimos. Sua equivalência é sempre imperfeita.

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Examinando as palavras mais de perto, vamos perceber que há entre elas diferenças sutis – ou nem tão sutis assim.

Cascata (do italiano cascata, “queda”) é palavra que nomeia uma queda d’água pequena ou uma que, vindo de altura menos modesta, serpenteia entre pedras, como numa escada. Num paralelo um pouco grosseiro, pode-se dizer que está para a cachoeira como o riacho e o regato estão para o rio.

Cachoeira (termo talvez derivado do latim coctionis, “fervura”, por intermédio do pouco usado cachão) é o vocábulo mais empregado da lista de Ricardo Luiz. Abarca precipitações de altura, volume e desenho bastante variados. Desempenha um papel genérico semelhante ao de queda d’água.

Catarata, como catadupa, situa-se no extremo oposto ao da cascata: nomeia uma queda d’água de grande altura, com grande volume e estrondo. Trata-se de uma palavra que descende, por meio do latim, do grego katarrháktes, “o que se precipita, que se atira para baixo”. Os mais atentos já terão reparado num parentesco surpreendente: sim, a catarata é prima do catarro.

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