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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Delações premiadas precisam ser acompanhadas de provas, diz Dodge

Procuradora-geral da República participou de reunião em Porto Alegre sobre os quatro anos da Lava Jato

Por Paula Sperb Atualizado em 16 mar 2018, 19h49 - Publicado em 16 mar 2018, 12h16

As delações premiadas são “instrumentos de efetividade” da operação Lava Jato, disse a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na manhã desta sexta-feira, em Porto Alegre. Ela está na capital gaúcha para participar de reuniões sobre o balanço de quatro anos da operação. Dodge defendeu, porém, que todas as cláusulas das colaborações premiadas sejam acompanhadas de “provas concretas”. De acordo com a procuradora, 187 acordos de delação premiada foram firmados.

Conforme os acordos de delação, explica Dodge, 12 bilhões de reais devem ser devolvidos aos cofres públicos – cerca de 1,3 bilhão de reais está em contas no exterior. Desses, até o momento, foram recuperados 150 milhões de reais desviados.

“A colaboração premiada assim como a prisão em segunda instância são instrumentos de efetividade. A colaboração permite o desvendamento de crimes, sobretudo crimes de colarinho branco, que são praticados de forma fechada, de modo dissimulado”, disse à imprensa.

A maior dificuldade dos acordos de delação está em ter provas concretas, que devem ser obrigatórias. “Ninguém faz contrato de corrupção, um acordo para desviar dinheiro. Não se documenta esse tipo de conduta. Por isso, a colaboração premiada é um instrumento tão importante e tão poderoso”, falou.

Segundo Dodge a operação Lava Jato gerou 39 denúncias, sendo 36 no Supremo Tribunal Federal (STF) e três no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No STF, 101 pessoas com foro privilegiado respondem por ações penais. No STJ, 12 governadores são investigados, o que equivale a 40% dos governadores em atividade no país, um “número impressionante”, segundo Dodge.

Para ela, a Lava Jato precisa continuar a “desestimular os atuais corruptos e corruptores para que eles não sigam corrompendo recursos públicos”.

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