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Ricardo Rangel

Eles são um assombro

Não existe amor maior do que o dos bolsonaristas

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 8 jun 2020, 13h46 - Publicado em 6 jun 2020, 21h09

Chegamos a 35 mil mortos. Tivemos três dias consecutivos batendo o recorde de mortes todo dia. No decorrer de 24 horas, um morto por minuto.

Nosso país está em terceiro lugar no número de mortes, devemos chegar ao segundo lugar nos próximos dias. É provável que assumamos a ponta em breve.

Não há um único estudo respeitável que indique que a cloroquina, um medicamento de alto risco, funcione. Mas o governo — contra a OMS, a Opas e o CFM, e sem encontrar um único médico disposto a assinar a resolução — mudou o protocolo para usá-la de maneira precoce assim mesmo.

Estamos há três semanas sem ministro da Saúde e Bolsonaro nem sequer está procurando um. O ministério da Saúde está lotado de militares que nada entendem do assunto. Seu único mérito é fazer tudo o que o presidente manda.

A Suécia, com quem Bolsonaro gosta de nos comparar, reconheceu que errou.

Trump, que Bolsonaro adora copiar, disse que estamos fazendo tudo errado.

Oxford resolveu testar a vacina aqui porque não existe país com situação mais preocupante.

Bolsonaro mandou atrasar o boletim de casos e mortos para não dar tempo de aparecer no Jornal Nacional.

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Bolsonaro nomeou para o ministério da Saúde um secretário chamado Wizard (“mago”) cuja missão é inventar uma mágica para provar que temos menos de 35 mil mortos, quando todo mundo sabe que temos muito mais.

Bolsonaro fez um acordo com o grupo de parlamentares mais corrupto da República, o centrão. Já lhe entregou mais de 300 cargos; espera-se que o orçamento total controlado pelo centrão chegue a 86 bilhões.

Desde que Bolsonaro firmou o acordo com o centrão, Roberto Jefferson sofreu uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal, o presidente do Banco do Nordeste caiu (em menos de 24 horas), Artur Lira foi denunciado por ter recebido 1,6 milhão em propina, e o deputado Paulinho da Força foi condenado a mais de anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Bolsonaro atrasa o quanto pode o repasse de verbas para os estados, tentando prejudicar os governadores, que considera seus inimigos. Prejudica muito mais seus concidadãos, incluindo seus próprios eleitores.

Bolsonaro tirou 84 milhões do Bolsa Família para investir em propaganda.

E os bolsonaristas aí, firmes, defendo, justificando, relativizando, aplaudindo seu ídolo.

Tornou-se proverbial dizer que bolsonaristas são petistas com sinal invertido. É uma injustiça. Com os petistas.

Quando o assunto é fanatismo e desconexão da realidade, ninguém no universo — nem a seita dos borboletas azuis, nem mesmo os discípulos de Jim Jones — se compara aos bolsonaristas.

Bolsonaristas são mesmo um assombro.

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