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Ricardo Rangel

Bolsonaro se fecha em seu labirinto

O presidente promove uma dança das cadeiras que o isola ainda mais

Por Ricardo Rangel Atualizado em 30 mar 2021, 11h46 - Publicado em 29 mar 2021, 18h06

Conforme esperado, Bolsonaro entregou ao Senado a cabeça de Ernesto Araújo.

Mas não deixou por isso. Demitiu também o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o Advogado-Geral da União, José Levi.

E promoveu uma dança das cadeiras, relocando Braga Netto para a Defesa, Luiz Eduardo Ramos para a Casa Civil, André Mendonça para a AGU e trazendo o delegado Anderson Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, para a Justiça.

As coisas ainda estão confusas, mas, aparentemente, Jair Bolsonaro tem os seguintes objetivos:

1. Dar uma demonstração de força para a militância bolsonarista após a fragorosa derrota que representa a demissão de Araújo.

2. Cercar-se de pessoas de sua absoluta confiança (não é esse o caso de Azevedo nem de Levi).

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3. Dar a impressão de que pode dar um golpe de Estado.

Mas o que deveria ser uma demonstração de força, parece mais uma demonstração de fraqueza. Sugere que Bolsonaro está acuado, com medo, sentindo a necessidade de se cercar de pessoas que lhes prestem obediência cega. 

É também um movimento arriscado, que o fragiliza. A demissão repentina e imotivada de Fernando Azevedo é uma ofensa aos militares, que, por tudo o que se sabe, já se articulavam para apoiar outra candidatura em 2022.

A demissão de José Levi, que tem excelente relacionamento com o Supremo Tribunal Federal, queima uma ponte importante com os ministros do Supremo.

O pandemônio que Bolsonaro está fazendo sinaliza (ainda mais) que ele não tem condições de tocar o barco. Ao cercar-se de gente obediente, priva-se de quem poderia chamar sua atenção para eventuais erros que venha a cometer.

Jair Bolsonaro vai se fechando em seu próprio labirinto.

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