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Vagabundos roubam quase três horas do meu dia. Estão com a vida ganha! Ou: Mal-estar da civilização é uma pinoia!

É impressionante! O debate de que participei no Rio (ver nota anterior) começou às 15h30 e terminou pouco depois das 17h. O avião pousou em Congonhas às 19h20. Com folga, poderia estar em casa às 20h. Acabo de chegar: 22h45. Os delinquentes roubaram duas horas e meia do meu dia — e, certamente, do de […]

É impressionante!

O debate de que participei no Rio (ver nota anterior) começou às 15h30 e terminou pouco depois das 17h. O avião pousou em Congonhas às 19h20. Com folga, poderia estar em casa às 20h. Acabo de chegar: 22h45. Os delinquentes roubaram duas horas e meia do meu dia — e, certamente, do de milhões de outros paulistanos.

Na madrugada, volto ao assunto. Andei acompanhando a coisa pelo celular. Boa parte da imprensa aplaude surdamente — às vezes, nem tão surdamente — gente que sai por aí incendiando e depredando. Há jornalistas feridos. É claro que é lamentável e é claro que eventuais excessos têm sempre de ser coibidos. Comprovados, têm de ser punidos. Mas policial não é obrigado a saber quem é quem não é jornalista. No meio de um confronto, também não me parece prudente enfiar a câmera na cara de um soldado.

Há cretinismos de todos os tipos. Já se especula até sobre, sei lá, um certo mal-estar da civilização, que também empurraria os delinquentes para as ruas. Mal-estar de quê? Por quê? O caso é bem outro. Na madrugada, volto ao assunto.

O nome do atual mal-estar no Brasil é impunidade e estímulo permanente ao desrespeito à lei. Ou não ouvimos um ministro de estado, Gilberto Carvalho, a dizer que a presidente Dilma Rousseff dera uma ordem para que não se cumprisse determinação da Justiça?

Ah, sim: a predição daquele tal promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo se cumpriu, não é? Não foi ele quem disse que, sem baixar os preços, o “protagonismo voltaria para os manifestantes”? Ele chama o que aconteceu de protagonismo. Os incendiários não estão só nas ruas. Também os há nos gabinetes. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, sabe disso. Ele ofereceu “ajuda” ao governo de São Paulo…

Ajuda, é? De José Eduardo Cardozo? Então tá.

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