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Um governo que demite seis ministros por problemas éticos merece é vaia, não aplauso! E há um sétimo entrando na fila…

Eu estou aqui tentando saber qual é a diferença entre a “consultoria” de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil de Dilma (e da Fazenda, de Lula), e a de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e ministro da Indústria e Comércio. Confesso que aquilo a que cheguei me diz que a situação de Pimentel é […]

Eu estou aqui tentando saber qual é a diferença entre a “consultoria” de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil de Dilma (e da Fazenda, de Lula), e a de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e ministro da Indústria e Comércio. Confesso que aquilo a que cheguei me diz que a situação de Pimentel é ainda pior. Os dois deixaram seus respectivos postos e passaram a se dedicar à chamada “iniciativa privada”, área em que os socialistas do PT se mostram ases. Nunca antes da história destepaiz tantos esquerdistas foram tão hábeis nas artes do capital. Palocci, a exemplo de Pimentel, ainda não estava no governo quando arrumou os seus “clientes”, até hoje secretos. É bem verdade que era deputado, mas não foi demitido por isso, não! É que restou muito forte a suspeita de que fazia tráfico de influência.

Eis a chave da questão: traficar influência, isto é, vendê-la, colocá-la a serviço do enriquecimento pessoal. E que “influência” era essa? A de homem privado lidando com privados? Eis o busílis! Não! Pimentel passou a dar “consultoria” para empresas com negócios com a Prefeitura de que ele tinha sido o titular até havia outro dia. Mais: deixou lá um aliado, Márcio Lacerda — não exclusivamente seu, mas também seu. O PT ainda ocupa parte da máquina. Palocci tinha amigos na máquina federal, muito apreciados por seus clientes; Pimentel tinha quase subordinados na Prefeitura.

A exemplo de Palocci, também ele é hoje titular de uma pasta na qual seus ex-clientes seus têm interesses.

O governo dá sinais de preocupação, como informa hoje o Globo. Teme que Pimentel seja “a bola da vez”, mas convenham: a bola da vez será sempre aquele que faz por merecer entrar na fila. Se Pimentel queria prestar consultoria, tinha de ser logo com empresas com interesses da Prefeitura de Belo Horizonte? Há uma certo clima de “Não mexam com Pimentel! Aí já é demais!” Ora, por que não? Ele tem licenças especiais a outros não-concedidas?

Já há até um blog para defendê-lo. Amigo defendendo amigo é parte da vida privada. O ponto é que as esferas do Estado não podem ser palco de uma ação entre amigos. Cada um no seu quadrado.

O que incomoda mais
O que incomoda mais no caso Pimentel é que ele é um ministro da cota genuína de Dilma. Foi seu companheiro de militância — ou “de armas”, como diria José Dirceu. Quatro dos seis que caíram sob suspeita de corrupção (Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi) eram herança do governo Lula. Palocci não era mais ministro, mas estava na cota do ex-presidente desde a campanha eleitoral, e Pedro Novais veio do Planeta Sarney.

Era como se Dilma não tivesse nada a ver com isso — ou com aquilo. Surgiu a “faxineira” intolerante com a sujeira. Ela seria, assim, uma espécie de face ética do antecessor. Se ele condescendia com qualquer lambança, ela se mostraria implacável com a corrupção, o que lhe rende dividendos, é inegável, especialmente em certo colunismo. No domingo, Gilberto Dimenstein não se conteve e mandou ver: “A queda do ministro do Trabalho não é apenas o resultado de uma postura da presidente Dilma Rousseff, disposta a correr riscos em sua base parlamentar e até na sustentação de Lula ou do PT, disparando contra ministros. Só esses fatos já a colocam na história como a presidente que mais mandou gente embora no primeiro escalão, por questões de moralidade, em tão pouco tempo. É uma serial killer.”

Confesso que não entendi o quer dizer aquele trecho em vermelhito. Provavelmente, nada. Mas deu para perceber que o jornalista considera que um dos grandes ativos de Dilma é ser “a presidente que mais mandou gente embora do primeiro escalão, por questões de moralidade, em tão pouco tempo”. Uau! Até parece que tinham sido todos nomeados pelo PSDB, né? Como houve a troca de governo, a presidente percebeu as lambanças dos adversários e botou todo mundo na rua!

Não! Esperem aí! Ela nomeou cada um dos seis ministros que caíram. Se o fez porque Lula a tanto a constrangeu, numa evidência de que não tinha autonomia, tanto pior. Ora, todos eles, exceção feita a Palocci e Novais, tinham sido, na prática, seus subordinados — era a gerentona. No caso de Lupi, então, nem se diga. Ambos foram militantes do mesmo partido. O “mérito” da Dilma que demite decorre do demérito da Dilma que nomeou. No caso do Ministério do Esporte, então, o que dizer? Os escândalos na pasta brotaram em meados do ano passado. Mesmo assim, Silva foi reconduzido.

Sabem o que há de curioso nesse negócio de exaltar Dilma pelas seis demissões que fez até agora? A suposição de que o governo não é dela; de que é uma espécie de estranha no ninho. É como se Lula continuasse a ser o presidente relapso, que tem uma gerente durona. Essa história já passou o limite do ridículo! UM GOVERNO OBRIGADO A DEMITIR SEIS MINISTROS SOB SUSPEITA DE CORRUPÇÃO, COM UM SÉTIMO ENTRANDO NA FILA, ESTÁ É COM UM GRAVE PROBLEMA, NÃO? Pode entrar para a história, sim, como um dos mais… corruptos da história. Merece ser vaiado, não aplaudido.

Vamos ver como vai se comportar a presidente no caso Pimentel. Este foi nomeado por ela, por sua vontade, está na sua cota pessoal. De Palocci, vamos ser claros, ela nunca gostou muito — nem quando ambos estavam na Esplanada dos Ministérios, e ela o acusava de ser um fiscalista sem imaginação. Como tratará Pimentel, este, sim, um verdadeiro “companheiro”?

Para encerrrar
Já notaram? Segundo isto que chamarei “O Paradoxo de Dimenstein”, o extremo da moralidade de Dilma seria demitir os 36 ministros sob a acusação de corrupção. Podre estaria mesmo é o reino da Dinamarca… Tenham Paciência!

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