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SOBRE ESTAR DE COSTAS E ESTAR DE FRENTE

E já que estamos nessa conversa de Irã, Venezuela etc, retomo um post que fiz ontem. Eu realmente havia ficando muito impressionado com uma afirmação de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha. Em artigo no domingo, dia 7, ela escreveu: “Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente […]

E já que estamos nessa conversa de Irã, Venezuela etc, retomo um post que fiz ontem. Eu realmente havia ficando muito impressionado com uma afirmação de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha. Em artigo no domingo, dia 7, ela escreveu:
“Chávez fez uma faxina institucional na Venezuela, virou-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul e planejou investimentos externos e a conversão dos fabulosos lucros do petróleo na transformação da sociedade e da quase inexistente planta industrial. O messianismo bobo, porém, afundou todos esses sonhos.

Já comentei as várias passagens que me encantam aí, entre elas essa história de Chávez virar-se de costas para os EUA e de frente para a América do Sul. Penitencio-me de não ter lido um uma entrevista de Marcelo Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, concedida ao Estadão seis dias antes. Concluí que esse negócio de “frente e costas” virou, assim, uma espécie de categoria de pensamento a unir várias abordagens. Vejam esta pergunta do Estadão e esta resposta do empresário:Vocês estão entre as maiores empresas da Venezuela. Como é a relação com o presidente Hugo Chávez?
O Chávez tem vários méritos que o pessoal precisa reconhecer. Antes dele, a Venezuela estava de costas para América do Sul e de frente para os Estados Unidos. Vocês podem questionar o que quiserem, mas é inequívoca a contribuição que Chávez deu à integração do continente americano. É inequívoco, também, que os objetivos são nobres. As pessoas podem questionar a maneira de fazer isso ou aquilo, mas o Chávez tem méritos. E se ele não tivesse méritos, ele não estaria onde está.

Comento
Huuummm… Marcelo Odebrecht ao menos tem um argumento forte para dizer isso, não é mesmo? O de Catanhêde é fraco. Quanto ao mais, dizer o quê? Intimidade de empreiteira com ditadura é coisa antiga. Sim, eu poderia ser muito prático e dizer: melhor na Venezuela do que aqui. Mas isso não teria mesmo graça. A Odebrecht foi uma das empresas que se mobilizaram para convencer congressistas recalcitrantes da base do governo a votar a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. E eles votaram. Lula só tem essa base gigantesca de apoio porque ela sempre recalcitra em busca de motivos para não recalcitrar. E sempre os encontra.

Odebrecht convida “o pessoal” a reconhecer os vários méritos de Chávez — um deles, entendi, é não estar de frente para os EUA. Aí ele diz que a gente pode questionar o que quiser. Questionar a ditadura serve ou vai parecer que a gente não está reconhecendo os méritos do Beiçola? Também vê a contribuição inequívoca do ditator à integração latino-americana. É verdade:
– financia o terror na Colômbia;
– mandou dinheiro sujo para a eleição de Cristina Kirchner na Argentina;
– patrocinou Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia), dois países em que está em curso uma democradura;
– tentou dar um golpe em Honduras;
– deu início a uma corrida armamentista no continente;
– estabeleceu uma parceria com o governo terrorista do Irã…

De fato, a integração do “continente americano” não poderia estar mais bem-servida do que isso. “O pessoal precisa reconhecer”! Mais uma pergunta e mais uma resposta.

Como é que vocês fazem para se adaptar a tantas mudanças políticas?
Um dos meus grandes clientes é o Exército americano, outro é o governo da Venezuela. Outro dia, numa conversa informal, um diplomata americano me perguntou como faço para atuar na Venezuela de Hugo Chávez. Respondi a ele que meu benchmark (referência) é a Chevron. A Chevron, que é uma empresa americana, tem hoje enorme sucesso na Venezuela. E ela botou, como presidente da Chevron na Venezuela, um iraniano. É jeito, entendeu?

Comento
Iraniano, né? Entendi.

PS: mais tarde falarei sobre os distintos domínios dos negócios e da política. Só uma coisa: com Chávez de costas viradas para a democracia, quem ganha e quem perde na Venezeula?

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