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Pressão sobre o regime de Damasco se agrava

Por Gustavo Chacra, no Estadão: Dois dias depois de a Síria ser suspensa da Liga Árabe, a pressão sobre o regime de Damasco se agravou com a imposição de novas sanções pela União Europeia e uma declaração do rei Abdullah, da Jordânia, defendendo a saída de Bashar al-Assad do poder. Na Turquia, o chanceler, Ahmet Davutoglou, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h11 - Publicado em 15 nov 2011, 06h33

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Dois dias depois de a Síria ser suspensa da Liga Árabe, a pressão sobre o regime de Damasco se agravou com a imposição de novas sanções pela União Europeia e uma declaração do rei Abdullah, da Jordânia, defendendo a saída de Bashar al-Assad do poder. Na Turquia, o chanceler, Ahmet Davutoglou, disse ser impossível confiar no governo sírio.

Em entrevista para a rede de TV BBC, o monarca jordaniano afirmou que se estivesse no lugar de Assad, “deixaria o poder”. “Mas tentaria garantir que o meu sucessor tivesse condições de alterar o status quo. Caso Bashar tenha interesse em seu país, deve se afastar do cargo, mas deve também criar um ambiente favorável a uma nova fase na vida política da Síria”, acrescentou.

Para o rei Abdullah, o problema na Síria não é Assad, mas o regime. “Bashar tem o sangue de reformista”, afirmou o jordaniano. Na avaliação dele, outros familiares do líder sírio, “como seu irmão e seu cunhado, estão no comando do país”. Apesar de defender a saída do líder sírio, de quem se considera amigo, o monarca afirma não ver como a crise síria possa ser superada.

Em seu próprio país, o líder jordaniano enfrenta protestos contra o seu regime, um dos menos democráticos do Oriente Médio, apesar da boa imagem de Abdullah no Ocidente. Manifestantes, assim como na Síria, estão nas ruas há mais de oito meses. O rei trocou o seu premiê duas vezes, mas os opositores insistem que quem comanda mesmo o país é ele, e não os seus ministros. Grupos de direitos humanos também acusam o regime da Jordânia de prender e torturar opositores. Ainda assim, há relato de poucas mortes. Na Síria, segundo a ONU, as forças de segurança já mataram 3.500 pessoas.

A Turquia, que antes do início dos levantes era um dos maiores aliados da Síria, está cada vez mais distante do regime e se aproximando da oposição. “Nós tomaremos as medidas mais duras contra estes ataques e defenderemos o direito de os sírios se manifestarem”, disse o chanceler turco, acrescentando que “não dá mais para confiar no governo de Damasco”.
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