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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Outro PC aparece morto, este ligado à campanha de Campos-Marina. Em política, raramente um cadáver é só um cadáver

Corpo do empresário foragido da Operação Turbulência, que teria dado o dinheiro para comprar avião que matou candidato, aparece num motel de Olinda

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 30 jul 2020, 22h26 - Publicado em 23 jun 2016, 08h05

Huuummm… A gente sabe que, em política, dificilmente um cadáver é um cadáver é um cadáver. Vamos lá. Lembrem-se de Paulo César Farias, Celso Daniel, Toninho do PT…

Algo de muito estranho se deu nesta quarta-feira com outro Paulo César: o Barros Morato. Ele era um dos principais alvos da Operação Turbulência, que investiga um megaesquema de desvios de recursos com ligações evidentes com a campanha de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014. Estava foragido e foi encontrado morto no motel Tititi, em Olinda (PE).

Segundo a Polícia Federal, o empresário era o testa de ferro de uma estrutura que repassava recursos para campanhas políticas, muito especialmente as de Campos de 2010 (governo de Pernambuco) e de 2014 (Presidência). O grupo teria movimentado a fabulosa soma de R$ 600 milhões.

Qual a ligação entre Barros Morato e a campanha presidencial de Campos? Imensa! Ele era atualmente o único sócio da empresa de fachada Câmara & Vasconcelos Terraplenagem, que, por exemplo, recebeu da OAS a fabulosa quantia de R$ 18,8 milhões para supostamente atuar nas obras de transposição do São Francisco. Ocorre que a empresa não existia.

Segundo a PF, o dinheiro foi usado para comprar aquele jatinho que caiu no dia 13 de agosto e matou Eduardo Campos, então candidato do PSB à Presidência, tendo Marina como vice. Oficialmente a aeronave pertencia a João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, que seria o chefe da organização criminosa e cuidaria das propinas que estariam sob o guarda-chuva do ex-governador.

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A Operação Turbulência, diga-se, foi deflagrada justamente na esteira do acidente, já que não se conseguia saber, afinal de contas, quem era o verdadeiro dono da aeronave. Nos bastidores da política, todo mundo sabe disto, a hipótese dada como certa era a de que a avião pertencia ao próprio candidato, mas isso nunca ficou evidenciado.

Melo Filho foi um dos quatro presos pela operação. Os outros três são Eduardo Freire Bezerra Leite, Apolo Santana Vieira e Arthur Roberto Lapa Rosal. Barros Morato, agora um defunto, era o único foragido.

Lava-Jato
A Polícia Federal já tem evidências de que o esquema apurado pela Turbulência negociou com a estrutura criminosa do petrolão, muito especialmente com Alberto Youssef. Não custa lembrar que Campos estava na primeira lista de pessoas implicadas no esquema pelo doleiro. Ninguém duvida de que, estivesse vivo, seria um dos principais alvos da Lava-Jato.

Não se trata aqui de querer forçar a mão para ligar Marina à investigação, mas o fato é que a nossa moralizadora de plantão herdou a estrutura de campanha que Campos montou. E, por algum tempo ao menos, chegou a parecer que seria bem-sucedida. Como a gente nota, os caminhos da política brasileira nem sempre são muito claros, não é mesmo?

No caso de se fazerem novas eleições, como Marina diz querer, não parece que também ela reúna as melhores condições para disputar. Tudo indica que a tal operação pode lhe ser mais turbulenta do que se imaginava.

Hipóteses
Quais as hipóteses para a morte de Barros Morato? A primeira e óbvia é suicídio. Estranho… No motel Tititi?

Lembrem-se mais uma vez: o “suicidado” mais famoso do Brasil também era um Paulo César, no caso o Farias, que tinha sido caixa de campanha de Fernando Collor.
Texto publicado originalmente às 23h26 desta quarta
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