Clique e assine com 88% de desconto
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

No Rio, espancamento de policiais, selvageria, linchamentos, invasão e incêndio de prédio da Assembleia. A tropa de choque demorou mais de três horas para chegar. E ninguém ouviu falar nem de Sérgio Cabral nem de José Mariano Beltrame. Fosse em São Paulo…

As cenas de selvageria no Rio de Janeiro estão entre as coisas mais impressionantes que já vi no Brasil. Os policiais que guardavam o prédio da Assembleia Legislativa foram verdadeiramente linchados. Espancados, tiveram de se refugiar no prédio. E não eram poucos, não. Havia pelo menos 70 deles. Vinte ficaram feridos. Durante três horas, a […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 17 fev 2017, 13h55 - Publicado em 18 jun 2013, 09h17

As cenas de selvageria no Rio de Janeiro estão entre as coisas mais impressionantes que já vi no Brasil. Os policiais que guardavam o prédio da Assembleia Legislativa foram verdadeiramente linchados. Espancados, tiveram de se refugiar no prédio. E não eram poucos, não. Havia pelo menos 70 deles. Vinte ficaram feridos.

Durante três horas, a Alerj foi alvo do ataque sistemático de bandidos, de terroristas. Pichações, fogueira, coquetéis molotov e, finalmente, a invasão. Uma tragédia de grandes proporções poderia ter acontecido ali. Os policiais, afinal de contas, estavam armados. Quatro pessoas ficaram feridas com balas de verdade, que podem ter sido disparadas por policiais. O dano foi pequeno perto do perigo.

Sei que vai haver ranger de dentes, mas não posso me furtar a escrever o que me parece óbvio: a cobertura que a imprensa nacional, MUITO ESPECIALMENTE AS TVs, dispensou aos conflitos de quinta em São Paulo serviu de estímulo aos delinquentes do Rio. Afinal, anunciou-se ao país e ao mundo que os manifestantes eram verdadeiros anjos do pacifismo e que bandidos mesmo eram os policiais militares. Segundo a versão estúpida, mentirosa, tomada como sinônimo de verdade, a PM é que teria dado início ao conflito. Não! A confusão em São Paulo começou, na quinta, quando um grupo decidiu furar o bloqueio feito pela tropa de choque. Mas quem se importa com a verdade? Esses setores da imprensa a que me refiro tinham lado. Esses setores da imprensa a que me refiro fazem oposição nada velada a Geraldo Alckmin. De novo: em qualquer democracia do mundo, nos EUA ou na Suíça, furar um bloqueio policial expõe os que a tanto se arriscam à reação. Mas não houve jeito. PM e governo do estado passaram por um intenso processo de demonização.

Ora, quando a lei não vale mais e quando as forças que a encarnam são tratadas como estorvos; quando aqueles que são pagos para fazer vigorar os códigos se tornam os inimigos, então tudo é permitido. De tal sorte as atenções se concentraram em São Paulo, que a megamanifestação do Rio pegou todo mundo de surpresa — creio que também a polícia.

Publicidade

É evidente que o governo do Rio não pode ser responsabilizado pela violência daquela corja, mas tem, sim, de ser chamado às falas em razão do planejamento pífio. Fiz uma procura global nos sites noticiosos. Nada de Sérgio Cabral. Nada de José Mariano Beltrame. Escrevo de novo: o batalhão de choque demorou três horas para chegar à Assembleia Legislativa, onde policiais poderiam ter sido massacrados — ou, então, atirar para matar.

Mais tarde escreverei sobre esta figura patética que é José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Em entrevista concedida hoje à Folha, este senhor ataca a polícia de São Paulo e dá exemplos do que considera eficiência: “O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.

Sem dúvida, padrões de comportamento bem diferentes. O PT não descansa enquanto a segurança pública de São Paulo não exibir os mesmos números do Rio, a começar pela taxa de homicídios: mais do que o dobro.

Se o que viu em terras fluminenses tivesse acontecido em terras paulistas, haveria gente pedindo hoje o impeachment de Geraldo Alckmin…

Publicidade