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Niterói, tomada por bandidos que fugiram do Rio, é vítima da política de segurança da dupla Cabral-Beltrame e, lamento!, do deslumbramento basbaque da imprensa

Publiquei ontem aqui trecho de uma reportagem do Globo dando conta da explosão dos casos de violência em Niterói. O texto informava: “De acordo com PMs e agentes da Polícia Civil de Niterói, traficantes da Mangueira assumiram a venda de drogas no Morro do Preventório, em Charitas. Por sua vez, bandidos das favelas do Complexo […]

Publiquei ontem aqui trecho de uma reportagem do Globo dando conta da explosão dos casos de violência em Niterói. O texto informava:
“De acordo com PMs e agentes da Polícia Civil de Niterói, traficantes da Mangueira assumiram a venda de drogas no Morro do Preventório, em Charitas. Por sua vez, bandidos das favelas do Complexo da Maré (que vai abrigar a sede do Batalhão de Operações Especiais) e traficantes de Senador Camará lideram agora o tráfico no Morro do Cavalão, no Centro de Niterói.
Mesmo com a onda de violência, Niterói perdeu efetivos para o patrulhamento ostensivo, que parece diminuir ano a ano. Segundo um diretor do Centro Comunitário de São Francisco, o 12 BPM passou de cerca de 1.200 homens, na década de 80, para 700.”

Pois é… Raramente apanhei tanto — às vezes, até dos meus leitores — como no caso das críticas que fiz à política de segurança do Rio, de que a implantação de UPPs é uma das faces. Sim, acho que fui o primeiro a criticá-la e desde o primeiro dia. Ora, quem pode ser contra a “pacificação”? Ninguém! Nem eu, que sou menos inteligente, certamente, do que todos aqueles que consideraram que a dupla Sérgio Cabral-José Mariano Beltrame havia descoberto a nova pólvora da segurança pública. Ou melhor: a não-pólvora! O que mais excitava a turma da não-violência eram as ocupações de morro “sem disparar um tiro”.

A cena merecia anjinhos barrocos tocando harpa… Não se dava um tiro porque uma parte da bandidagem já havia se mandado, e a que ficava gerenciando o tráfico semantinha na moite. A política de segurança pública dessa dupla genial consiste em espantar os bandidos, não em prendê-los. Mais de uma vez fiz a ironia aqui: se Cabral conseguisse ocupar todos os morros do estado do Rio, não só da cidade, Minas, São Paulo e Espírito Santo pagariam o pato, né?

Os arquivos estão aí. Não prender bandidos, eu afirmava, acarreta duas consequências:
a) o tráfico continua a ser feito normalmente nos morros, apenas de forma não ostensiva. Com a chegada da polícia e sem as prisões, a força pública se torna, na prática, segurança do comércio de drogas. Na mosca!
b) os bandidos não vão procurar emprego com carteira assinada só porque a UPP chegou. Uma parte muda de praça. E Niterói estava ali, bem pertinho, do outro lado da ponte ou a uma viagem de barca, com a renda per capita mais alta do país, pronta a ser literalmente tomada de assalto.

Cabral e Beltrame estão fazendo a maquiagem na capital — afinal, vêm por aí a Copa e a Olimpíada —, e o resto que se dane!

Eis aí. Os fatos me dão razão. E não estou contente com isso, não! Estou é triste pelo triunfo de uma alucinação coletiva. A política errada da dupla é certamente responsável por aquilo que acontece em Niterói, mas largos setores da imprensa, indiretamente, também o são. Resolveram abrir mão de qualquer juízo crítico e entrar na torcida.

Sabem como é irresistível ver um pequeno nativo num morro do Rio, soltando uma pipa, como símbolo da liberdade, né?

Do outro lado da ponte, os bandidos iam fazendo seus novos reféns.

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