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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Lula procura um nome “de direita” para vice de Padilha; o cotado é o empresário Maurílio Biagi

Lula estabeleceu um objetivo em São Paulo: “encontrar um vice de direita” para Alexandre Padilha. Ele quer ganhar a simpatia daquilo que Marilena Chaui, a iluminada, chama o “reacionarismo” de São Paulo e vencer os supostos preconceitos da classe média paulista, que ela, como se sabe “ODEIA” (é preciso ler essa palavra com os olhos […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 05h15 - Publicado em 4 out 2013, 23h29

Lula estabeleceu um objetivo em São Paulo: “encontrar um vice de direita” para Alexandre Padilha. Ele quer ganhar a simpatia daquilo que Marilena Chaui, a iluminada, chama o “reacionarismo” de São Paulo e vencer os supostos preconceitos da classe média paulista, que ela, como se sabe “ODEIA” (é preciso ler essa palavra com os olhos arregalados e os cabelos desgrenhados). O chefão petista sempre foi sinceramente grato a José Alencar por ter aceitado ser seu vice, o que contribuiu para esmaecer a imagem de radicalismo que ele próprio e seu partido carregavam. E, com efeito, Alencar foi um vice leal — à parte suas divergências com as políticas monetária e cambial; críticas que, de resto, encontravam eco nos setores mais à esquerda do PT. Se Paulo Skaf, presidente na Fiesp, hoje no PMDB, aceitasse a incumbência, tudo estaria resolvido. Mas ele não aceita. Nas pesquisas de opinião que andam por aí, apenas para o consumo daqueles que as encomendam, Skaf aparece em segundo lugar, bem atrás de Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, mas muito à frente de Padilha (no geral, o triplo).

O nome da hora, para Lula, no qual ele investe suas fichas, é Maurílio Biagi Filho, presidente do grupo Maubisa e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Segundo informa a Folha, Biagi se filiou ao PR, partido que integra a base de apoio da presidente Dilma e que deve marchar com Padilha no ano que vem. A Maubisa atua no agronegócio, gestão imobiliária, gestão de investimentos e novos negócios, segundo informa a sua página na Internet. Biagi confirma a sondagem, mas diz que ainda não tomou sua decisão.

Huuummm… Cada um faça o que quiser da sua vida política e da sua biografia. Sempre acho engraçado quando políticos ou empresários do, como chamarei?, campo conservador (ou mais à direita do PT) se juntam ao petismo. Costumam ser movidos pela vã ilusão de que, uma vez lá dentro, caso a empreitada dê certo, consigam “fazer alguma coisa”, como se o petismo fosse capaz de dividir o poder ou de dividir o protagonismo.

Peguem o caso de Ciro Gomes, coitado! Ligou-se a Lula quando era uma figura de dimensão nacional e está terminando seus dias num troço chamado “PROS”. Continua a ser a língua mais rápida do Nordeste, mas a gente poderia perguntar: “Pra quê?”. E a resposta seria: “Pra nada!”. Chegou a passar o ridículo de mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo na vã esperança de que o os petistas pudessem apoiá-lo na disputa pela Prefeitura. O próprio Eduardo Campos teria sido engolido se não tivesse despertado a tempo. Mesmo assim, não custa notar, se não procurar algum espaço mais próximo à oposição, não lhe resta nada.

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“Deu certo com José Alencar”, poderia dizer alguém. É? Eu tinha até simpatia por Alencar, mas cabe perguntar: o que ele conseguiu efetivamente fazer no governo? Além de sua amizade com Lula, restou o quê?

Se esses exemplos não bastassem, vamos para o caso em espécie: um empresário. Jorge Gerdau foi nomeado por Dilma o comandante da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, um órgão de assessoramento direto da Presidência da República. No Fórum da Exame, ele deu uma nota para a governança no Brasil: entre 3 e 4. Não me parece que ele próprio esteja satisfeito com o espaço que tem para trabalhar.

Em Minas, a estratégia é a mesma. Josué Gomes, filho de Alencar, filiou-se ao PMDB. A expectativa é que seja vice do petista Fernando Pimentel. Lula tem dito que seria uma chapa imbatível. O sonho dourado do petismo, como se sabe, é conquistar São Paulo e bater Aécio Neves em seu território. Vamos ver.

O PT, como se sabe, não é exatamente hostil ao empresariado. Muito pelo contrário. Não custa lembrar na generosíssima Bolsa BNDES que vigora por aqui — ou da Bolsa Desoneração Fiscal etc. A única exigência é que o empresariado se subordine às teses do partido e lhe seja servil.  Aí alguém poderia dizer: “Ah, melhor assim, né? Melhor o petismo cercado de empresários do que hostil a eles…”. Claro! A questão é saber se o modelo está dando certo. Um país que investe, no máximo, 18% do PIB e tem uma das cargas tributárias mais altas do planeta, com serviços pífios, fala por si.

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Não conheço Biagi nem sei se ele está entre aqueles beneficiados por algum favor. Espero que não. Mas isso, para o caso de que trato aqui, é irrelevante. O fato é que o petismo busca esses representantes do capital produtivo para lhe servir de esbirro só como um tributo que o vício presta à virtude. Digamos que tudo dê certo pra eles; digamos que Biagi seja vice de Padilha e que o petista seja eleito. Espero que o empresário não tenha a ambição de que possa, algum dia, ser o titular em alguma disputa relevante. Não com essa turma ao menos. Afinal, não custa lembrar que nem mesmo Dilma é vista como uma petista autêntica por parte considerável dos “companheiros”. Falta-lhe a “pureza” de origem. Para muitos, ela não passa de uma brizolista infiltrada.

Para encerrar: Maurílio Biagi é mesmo “de direita”? Não se tem notícia. Mas assim é o mundo na fantasia petista. Biagi serve basicamente a um propósito: quando alguém lembrar que o PT é a principal fonte alimentadora das loucuras do MST, os companheiros então dirão: “Vejam aqui: o nosso vice é um grande empresário do agronegócio”.

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