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Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro […]

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro enigma é Teori  Zavascki. Fato número um, e vamos ver o peso que isto tem: há muito tempo ele é um dos prediletos de Márcio Thomaz Bastos para a o cargo. Bastos, como se sabe, é ex-ministro da Justiça e atual advogado de mensaleiro (José Roberto Salgado). Não se pode dizer, no entanto, que Barroso fosse o preferido do establishment petista. Havia outros à frente. Mas é certo que, numa dimensão, digamos assim, gramsciana, o partido não tem do que reclamar. Barroso é afinadíssimo com a metafísica petista e com os valores que o partido pretende transformar em imperativos categóricos.

Currículo, sem dúvida, ele tem. Inclusive no pensamento politicamente correto — ou politicamente engajado; já chego lá. Cumpre lembrar, antes de tudo, que Barroso foi a estrela da advocacia que atuou em favor do terrorista Cesare Battisti, “convocado” que foi para auxiliar Luís Eduardo Greenhalgh. Já escrevi o suficiente sobre esse caso, como sabem. Barroso faturou a causa por um voto, e o Brasil ficou com um bandido a mais à solta em suas plagas. UMA NOTA À MARGEM – Caso os mensaleiros não obtenham sucesso em sua empreitada, o futuro ministro do STF certamente não se alinhará com aqueles que pretendem evocar o Pacto de San José da Costa Rica, né? Afinal, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou os recursos de Battisti e declarou que ele havia tido, sim, à diferença do que se noticiou por aqui, amplo direito de defesa. Sigamos.

Barroso atuou ainda em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos. Estivéssemos nos EUA, ele seria apontado como “um liberal”, segundo o vocabulário que se emprega lá. Aqui, o sinônimo é “esquerda”, eventualmente “progressista” na novilíngua que se passou a usar por aí.

Há que se destacar que, num momento em que os conflitos de valores se tornaram uma pauta quente no Brasil, Dilma escolhe um nome que, obviamente, vai na contramão dos, deixem-me ver como chamar, “valores tradicionais” — e, obviamente, nada tenho contra os “valores tradicionais”. Muito pelo contrário. Barroso é um dos mais vistosos emblemas do “progressismo” em matéria de direito. Mas, dados os nomes que andaram circulando por aí, afirmo: dos males, o menor…

O advogado é também o mais midiático de todos eles. Aos 55 anos, já pertence à geração que tem página na Internet, onde faz digressões sobre direito, poesia, música… A gente fica sabendo, por exemplo, que ele gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. Tá bom.

Em sua página, o futuro ministro do Supremo opina sobre isso e aquilo — tanto que há lá uma seção chamada “opiniões”. No texto sobre o aborto de anencéfalos, escreve:

“A interrupção da gestação constitui tema controvertido em todas as partes do mundo. No Brasil, a questão da descriminalização do aborto ainda aguarda um debate público de qualidade e sem preconceitos. Porém, deve-se deixar claro que a antecipação terapêutica do parto não constitui aborto, à vista da falta de potencialidade de vida extra-uterina do feto.”

É… Uma das minhas especialidades é arrancar o glacê das palavras para me concentrar na substância. Qualquer um que diga que o debate sobre o aborto deve ser feito “sem preconceitos” é defensor do aborto. É claro que as pessoas têm o direito de ter esse ponto de vista. O que me incomoda é considerar que o outro só pode pensar de modo diferente por “preconceito” — classificação que busca, obviamente, desqualificar o adversário intelectual. Nota: “antecipação terapêutica do parto” é eufemismo detestável. O nome é aborto mesmo, terapêutico ou não.

Mesmo sendo um dos preferidos de Márcio Thomaz Bastos, não sei como Barroso se comportaria no caso do mensalão. Uma coisa é certa: ele é um das mais vistosas reputações do pensamento politicamente correto no Brasil. Pensem aí uma “causa progressista”, qualquer uma: Barroso será a favor. Ao nomeá-lo, Dilma certamente procurou dar uma resposta àquilo que as esquerdas chamam “onda conservadora no Brasil” — que, de resto, não existe. Mas agora existe um ícone para combatê-la…

Texto publicado originalmente às 17h45 desta quinta
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  1. Comentado por:

    affonso

    “Onde conservadora”? o quê é? Conservadora de quê?Coisas boas?;ou ruins?O que é bom proceis, pode ser más pranois.E daí?Daí que estamos numa democracia.e o povo é que deve decidir o que é,ou que não é bom prá si.No caso do aborto,não há duvida,de que o povo brasileiro abomina-o!Quanto à classe média,está-se a ver que o sonho de todos os brasileiros,é se tornar classe média altíssima.Prova disso?Vejam como é imensa a jogatina(mega-sena)em todos os rincões do nosso amado Brasil,varonil.

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  2. Comentado por:

    Helder Lima

    É notório que neste texto denunciativo, é revelado um dos motivos da educação no nosso país não ser levada tão a sério. Pois se houvesse a educação fosse de qualidade à toda a “massa” da nossa população, em cada lar haveria cidadãos com capacidade para “arrancar o glacê das palavras” e expor as sórdidas pretensões dos manipuladores de opnião.
    Reinaldo Azevedo, excelente texto!

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  3. Comentado por:

    Sebastião Marques da Silva

    o que posso dizer e que se fosse no tempo da lei mozaica, estes que defendem o aborto, e o casamento fora dos padrões lei de Deus, seriam mortos apedrejados, quero dizer comisto que este defensore do mau precisa serem reeducados com a verdadeira, da moral da familha, da religisidade, e na espíritualidae da trindade Eterna, conforme di as Escriyuras Sagradas,

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  4. Comentado por:

    heliton

    isso e uma vergonha,para nos brasileiros e protestantes,que na hora de expressarmos nossas ideias somos taxados de ama fóbicos,mas nos não vamos nos calar.estaremos pronto para defender a afamilia tradicional e a vida.sou contra a união de homem com homem e mulher com mulher,sou contra o aborto.

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  5. Comentado por:

    E c oliveira

    Nos conservadores e evangélicos vamos mostrar aos que são a favor do aborto e da causa Gay nas eleições deste ano que esta chegando;Dilma a este respeito tem discurso pratica nada.

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  6. Comentado por:

    O Brasil está se tornando o celeiro da inverdade, da safadeza, da desconfiança, da patifaria, por parte de alguns políticos que não tem caráter, sem idealismo religioso e sem ética alguma. Quando vemos, por parte
    desses políticos safados, em querer aprovar projetos imorais que afetam a moral e a família brasileira, como o casamento de homens com homens e de mulheres com mulheres e, ainda, esse imoral projeto do aborto, que impede o direito daqueles que vão nascer, isso é uma grande falta de vergonha, é um crime hediondo daqueles que planejam no Congresso Nacional. Estou com a filosofia de quem condena esses atos, que eu considero como uma afronta aos princípios democráticos e à família brasileira.

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