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Fusão Itaú-Unibanco: acerto entre privados. Melhor assim

Leitores me pedem que comente a fusão Itaú-Unibanco, que criou o maior banco do Brasil e um dos grandes no mundo. Os detalhes todos vocês conhecem: estão em todos os sites e blogs. Isso é bom ou é ruim? Bem, de largada, é preciso observar que se trata, sim, de um desdobramento da crise internacional […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 18h40 - Publicado em 3 nov 2008, 21h13
Leitores me pedem que comente a fusão Itaú-Unibanco, que criou o maior banco do Brasil e um dos grandes no mundo. Os detalhes todos vocês conhecem: estão em todos os sites e blogs. Isso é bom ou é ruim? Bem, de largada, é preciso observar que se trata, sim, de um desdobramento da crise internacional — aquela que chegaria aqui como um simples marolinha, lembram-se? A negociação, como se anuncia, estava em curso havia meses etc e tal. Se as duas partes asseguram, né? Mas foi a crise, então, que apressou o que caminhava tão lentamente. É bom ou é ruim? Bem, essa resposta só faz sentido no ambiente em que a fusão se dá. Acho que ela é positiva porque:
a- é melhor que a incorporação do Unibanco se dê por um outro banco privado, e não pelo Banco do Brasil. Por quê? Porque as empresas privadas estão menos sujeitas a ingerências políticas;
b- a incorporação se faz sem dinheiro público na jogada; trata-se de um acerto entre privados;
c- melhor bancos privados se fundindo do que tendo de apelar ao Tesouro para cobrir rombo;
d- melhor a fusão do que a quebra.

E as conseqüências? Em tese ao menos, quanto maior o banco, mais facilidade ele pode ter de oferecer crédito. Se o sujeito, no entanto, é cliente dos dois bancos e fazia ali, vamos dizer, a sua licitaçãozinha particular para saber de qual contrair um empréstimo, também em tese, ele pode sair perdendo.

Qual é do desdobramento dessa compra? Tanto os demais bancos privados — em especial o Bradesco — como o Banco do Brasil tentarão ir às comprar. Isso pode implicar uma concentração do setor bancário, o que pode querer dizer menos crédito e menos opções para os correntistas entre os diversos produtos? De novo, em tese ao menos, sim. Em tempos normais poderia suscitar alguma forma de intervenção do governo em nome da concorrência? Sim. Mas serão estes dias que vivemos “tempos normais”? Acho que não. Quando as águas voltarem a seu leito, retomando o curso normal, será a hora de avaliar as conseqüências.

Algumas áreas do governo, em especial aquelas que estavam vendo com bons olhos as oportunidades de ampliar a presença do estado no setor bancário, torceram um pouco o nariz para o negócio feito entre privados. Eis o que, por si só, já é um bom sinal.

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