Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Friedman falou, sim, sobre o crack, mas mandou mal

Num dos posts abaixo, tinha afirmado que o economista Milton Friedman expressou seu ponto de vista em favor da liberação total das drogas antes do flagelo do crack. Um leitor me envia o link de uma entrevista em que ele fala também sobre essa substância. Já corrigi o texto para que não fique o registro […]

Num dos posts abaixo, tinha afirmado que o economista Milton Friedman expressou seu ponto de vista em favor da liberação total das drogas antes do flagelo do crack. Um leitor me envia o link de uma entrevista em que ele fala também sobre essa substância. Já corrigi o texto para que não fique o registro da informação errada. Nada como acompanhar uma soma formidável de equívocos de um homem brilhante. Não vou contestá-lo ponto por ponto porque tenho feito isso ao longo dos anos — os leitores encontram em arquivo, inclusive, textos sobre o binômio “álcool (legal)-drogas ilegais”. Assistam. Volto em seguida.

Voltei
De saída, noto que a legislação brasileira está bem próxima daquilo que Friedman considera o ideal. Afinal de contas, por aqui, o porte de drogas para consumo já não é mais exatamente um crime. Ninguém vai para a cadeia por isso. Não se colheu um só efeito positivo dessa mudança.

A tese de que o crack só surgiu por causa da proibição de outras substâncias é, francamente, uma bobagem, na contramão dos fatos. O consumo dessa droga no Brasil, infelizmente, é livre. Ninguém é preso por consumi-la. A perversidade moral das “elites humanistas” decidiu que os miseráveis do crack deveriam ficar livres para exercer à vontade seu vício. E surgiu o óxi. Com a devida vênia ao grande economista, foi a “lei de mercado” que deu à luz essa outra porcaria. Fosse como ele diz, nas áreas da Holanda em que o consumo de droga é livre, os viciados se contentariam com a maconha e jamais consumiriam heroína. Não obstante, a heróína é que virou o flagelo das “áreas liberadas”. Fatos. Apenas fatos.

A comparação que Friedman faz com a batata ou com a carne é só uma boutade. A lei de mercado e a criatividade humana vão criando produtos derivados daqueles dois alimentos, não é? O mesmo aconteceria com as drogas, certo? Seria o óxi a batata chips da cocaína?…

Como todo mundo, acho que o outro está certo quando concorda comigo, ora essa! O que me diferencia dos autoritários é que não tento calar os que discordam de mim. Pois bem: Friedman diz a coisa certa quando lembra que, se a droga é, como ele quer, uma questão de direito individual, então o estado — a sociedade — não tem de arcar com o custo de sua escolha…

Pois é… O Brasil deixaria o economista escandalizado. Por aqui, é influente a tese de que o consumo de droga é uma questão de escolha individual, desde que a sociedade arque com o custo.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

  1. Comentado por:

    pf

    Alguém tem que se decidir: ou se comporta como legalista ou como principiologista (se é que entende essa diferença no discurso e argumentação de longo prazo). Ou se foca nas proibições, permissões e imposições, ou se foca nos valores que lhes servem de pano de fundo. FHC está errado? Errada está a autal política sobre drogas, que permite que o oxi seja inventado e pulverizado como novidade. Todo mundo critica FHC e o economista do vídeo mas não apresenta nenhuma solução melhor. O que FHC disse e diz é somente isso (se é que captaram a sua idéia): a atual e passada política de controle e combate às drogas falhou – esse é o fato, já que o consumo de drogas só aumenta, bem como apreensões de drogas batem récordes atraz de récordes (a situação chegou ao ponto de o Estado ter que declarar guerra aos traficantes). Os motivos para o surgimento de novas drogas são inúmeros – não é aqui, num texto de 30 linhas ou mais, que descubriremos as razões para tanto. A falácia alheia eu detono. Minhas falácias eu escondo na retórica. Fica a dica.

    Curtir

  2. Comentado por:

    João

    Friedman, como de costume, diz a coisa certa quando afirma que consumir drogas ou não é uma questão de liberdade individual. O estado não tem legitimidade nenhuma para dizer o que um indivíduo adulto pode ou não fazer de seu próprio corpo, por sua própria conta e risco. Quem apoia a tutela estatal, automaticamente, se coloca contra a liberdade individual.

    Curtir

  3. Comentado por:

    Adolfo Carvalho

    Concordo Tio Rei, mas acho que decisão deveria valer também a todo fumante, alcoólatra e obeso, afinal são pessoas que também escolheram seus caminhos. Além disso, ninguém merece conviver com gente cheirando a cigarro ou gordos e gordas sebosas e feias. No caso de acidente de carro sou a favor da seguinte proposta: se fosse confirmada a embriaguez de um motorista acidento o tratamento em hospital público deveria interrompido imediatamente. Não é a mesma lógica do Blog?

    Curtir

  4. Comentado por:

    Carla Damion

    Concordo com o Friedman quando diz que o crack surgiu porque a cocaina é muito cara. O que acontece no caso das outras drogas é que a pessoa que se torna dependente começa a experimentar drogas mais potentes porque não consegue mais sentir prazer só com a maconha. Voce deve conhecer muitas pessoas que só usaram maconha e nunca experimentaram outras porque fazem, na verdade, o uso recreativo da substancia. estão apenas buscando um pequeno conforto sem querer grandes emoções.Alguns até são dependentes e precisam fumar muitos baseados por dia mas não passam disso. No entanto outras pessoas não se contentam somente com esta sensação, precisam de algo mais forte e aí entram outras substancias, como é o caso da heroína.

    Curtir

  5. Comentado por:

    Josafá

    Estou para conhecer alguém que usa da “liberdade individual” de detonar os próprios neurônios e não usa a liberdade individual de cooptar outros tolos para a mesma coisa. O pior de tudo nessa discussão são os pressupostos falsos, as metáforas e comparações furadas.

    Curtir

  6. Comentado por:

    Davi

    Ora bolas! A taxa de homicídios está alta? Liberem as armas e as munições que ela cairá. A oferta livre de meios para a realização da violência fará com que ela caia? Com o vício seria a mesma coisa? E com o sexo desregrado e desprotegido, o incentivo à prática desenfreada do sexo fará cair o número de contaminados por DST e de gravidezes indesejadas? Resumindo, oferecer mais daquilo que tem efeitos nocivos, reduzirá as ocorrências nocivas? O profº. Friedman se confundiu.

    Curtir

  7. Comentado por:

    Raul

    Reinaldo…
    Você está enganado. Os argumentos do Friedman são verdadeiros. Note que você costuma destrinchar argumentos muito bem. Mas dessa vez… não conseguiu.
    Eu sou viciado em maconha e não gostaria de ser. É difícil largar. E sabe de uma coisa? Desconfio que se fosse legalizada eu nunca teria me viciado.
    Tenho um tio que é viciado, mas a profissão dele permite. Se falar de maconha fosse algo natural eu tenho certeza que teria sido muito melhor educado para o assunto. Hoje quando vejo alguém mais jovem entrando na faculdade e sabendo que terá contato com a maconha eu conto a minha experiência.

    Curtir

  8. Comentado por:

    Prof. Yuri Brandão (Maceió)

    Prezado AZEVEDO:
    Quando Friedman fala que o “craque” surgiu devido à proibição da cocaína, parece-me que ele está se referindo ao CUSTO, não?
    Nas áreas da Holanda em que o consumo é permitido, não se contentaram com a maconha e partiram para a heroína porque – é uma possibilidade – nada proibia nem proíbe esse “salto”.
    Não é, porém, o que ocorre em outros cantos: o consumo de cocaína é vedado e muito caro, de tal sorte que restou o “craque” a quem não podia pagar por isso.
    Não seria nesse sentido, ainda que eventualmente possa haver outros, aquela fala de Friedman?
    Hoje, sou muito mais contrário à legalização do que favorável. Talvez 27 anos ainda não me sejam suficientes para “fechar” uma opinião a respeito.
    Mas sempre me pergunto: por que não existe, em geral, a mesma severidade em relação ao álcool e ao tabaco? Só ultimamente temos visto na imprensa muitas campanhas contra o fumo, que por décadas foi tolerado e até incentivado publicitariamente.
    Por ora é isso. Abraço

    Curtir

  9. Comentado por:

    Steve Ling

    Com a “Emenda da Felicidade” os cidadãos poderão pedir a bolsa-droga.

    Curtir

  10. Comentado por:

    Luciano

    Reinaldo, vejo que o senhor focou apenas no fato de termos uma legislação em que o usuário não é recluso, mas responde criminalmente SIM, ou seja, um país em que torna uma pessoa com uma conduta sem vítimas, em um criminoso. Mas não é só isso que Friedman fala. Ele não fala apenas do simples usuário. Ele fala sobre o fato da proibição manter nas mãos de criminosos algo que poderia estar gerando emprego, renda e oportunidades a bilhões de pessoas na mão de empresas idôneas, que ofertaria um produto de melhor qualidade, menos danoso aos seus usuários. Acho estranho preferirem que se mantenha nas mãos do Marcola e do Beira-Mar algo que poderia estar nas mãos dos laboratórios. Outra coisa interessante, é o fato de duvidarem da eficiência do Estado em questões de mercado e acreditarem quase que religiosamente que este mesmo Estado é capaz de acabar com as drogas. Eu, como liberal convicto, não acredito no Estado como solução de quaisquer das questões.

    Curtir