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Está criada a CPI do Cachoeira. Governistas e oposicionistas estão com a faca nos dentes, mas doidos para mudar de assunto!

A CPI que, em tese, vai apurar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com os Poderes — a palavra parece sintetizar bem a questão — será criada hoje. Poderia ser só um caso de polícia, em que um homem é flagrado explorando jogos de azar. Mas é um caso, em primeiro lugar, de política. E […]

A CPI que, em tese, vai apurar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com os Poderes — a palavra parece sintetizar bem a questão — será criada hoje. Poderia ser só um caso de polícia, em que um homem é flagrado explorando jogos de azar. Mas é um caso, em primeiro lugar, de política. E esse é seu aspecto grave, deletério.

Vazamentos diários sobre a Operação Monte Carlo (desde que VEJA publicou, na revista que começou a chegar aos leitores no dia 4 de março, a primeira reportagem sobre as relações de Demóstenes Torres com Cachoeira) demonstram, depois de um mês e meio, que senador era, assim, uma espécie de “bode de exultação” dos petistas para tentar desmoralizar o que resta de oposição no país. A traficância, já se sabe, é bem maior do que o campo de atuação deste político de Goiás. Muita coisa ainda tem de vir a público, mas o bom senso indica que o parlamentar era pequeno demais para os anseios de Cachoeira e seus pares, como a construtora Delta. A rede é bem mais ampla.

Como Demóstenes era quem era, o caso pegou. Num primeiro momento, assistiu-se a um verdadeiro foguetório petista. Do mesmo modo, o jornalismo governista — particularmente a esgotosfera financiada com o dinheiro dos pobres — bradava que assim são todos os “falsos moralistas”, “os direitistas”, “os reacionários” etc. Até que os petistas começaram a aparecer no enredo, dividindo o protagonismo com o senador. Mais do que isso: a principal construtora do PAC, aquela cujo presidente é amigo de poderosos e diz sem pejo a seus sócios que políticos têm um preço, saltou para o olho do furacão. E, tudo indica, outros nomes virão.

No curso da manipulação dos fatos para obter dividendos políticos, liderando a banda podre do PT — e nem poderia ser diferente —, José Dirceu arquitetou a tramoia, já desmoralizada, de que até o mensalão teria sido obra de Cachoeira, em associação com supostos golpistas interessados em derrubar o governo Lula. De que modo teria sido o bicheiro o responsável pelo dinheiro sujo que circulou no partido durante a campanha eleitoral de 2002 e depois dela, sob a coordenação de cabeças coroadas do petismo, bem, isso eles não explicavam. E nem consideravam necessário. Dirceu e Rui Falcão, presidente do partido, sob a inspiração de Lula, consideraram que era a hora de dar o golpe final nos partidos de oposição. À revelia do próprio Planalto, saíram pregando a necessidade de uma CPI NÃO PARA INVESTIGAR CRIMES, MAS PARA ESCONDÊ-LOS. Com a coordenação política completamente desarticulada, o governo Dilma se viu engolfado por essa turma.

Muito bem! Ocorre que havia — e há — uma Delta no meio do caminho. Se há indícios sérios de que o esquema Cachoeira está infiltrado no governo de Goiás, do tucano Marconi Perillo, não são menores os sinais da presença do mesmo esquema no governo do Distrito Federal, do petista Agnelo Queiroz. No momento, diga-se, esse é apenas um dos problemas que Agnelo, que já está sendo processado pelo STJ, enfrenta. A Câmara Distrital decidiu criar uma CPI para apurar o sistema ilegal de espionagem instalado dentro do governo para investigar adversários, jornalistas, procuradores e… até aliados! Voltemos à CPI.

A oposição percebeu a armadilha e passou a pedir, ela também, de forma não menos estridente, a instalação da comissão de inquérito. Quando o governo Dilma, percebendo o potencial explosivo do assunto, tentou botar o pé no freio, já não havia mais tempo. Vive-se agora uma situação curiosa: eis uma CPI que, a esta altura, todo mundo diz querer sem, no fundo, querê-la de verdade. Tornada inevitável, os dois lados estão certos de que há munição de sobra para atingir o adversário.

É claro que a oposição leva uma brutal desvantagem, a começar dos números: o placar é de 26 a 4 para os governistas. A rigor, já observei aqui, a chamada base aliada pode convocar e preservar quem bem entender. Também terá presidência e relatoria da comissão. Caberá à imprensa livre, aquela que José Dirceu detesta, atuar para que a investigação não se transforme numa patuscada.

Dilma foi atropelada
Uma CPI com essas características não era do interesse do governo Dilma, que foi arrastado pela banda podre do PT liderada por Dirceu, com o apoio entusiasmado de Lula.  Por amor à verdade? Não! Por amor à farsa. O objetivo era usar a gangue de Cachoeira para proteger a gangue do mensalão. Agora o Planalto estuda uma estratégia de redução de danos. Uma investigação que exponha a teia de relações que a Delta estabeleceu no governo federal e em pelo menos 23 governos estaduais pode provocar um terremoto político. Cachoeira, a gente já viu, não tem preconceitos ideológicos. A empresa que é hoje a principal tocadora de obras do PAC não alcançou essa condição porque tem inimigos no Planalto…

Os moderados do PT acreditavam ser possível fazer a investigação e punir algumas pessoas flagradas no esquema sem uma CPI, que vai, é inevitável, paralisar o Congresso. nesse ambiente, agigantam-se justamente figuras como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tudo o que Dilma não queria.

E agora? Aqui e ali os governistas comentam que o foco tem de ser Carlinhos Cachoeira e alguns parlamentares que lhe prestavam serviços. E pronto! Bem, então será preciso combinar antes com o indeterminado. O clichê também vale para esta CPI: todo mundo já sabe como começou, mas ninguém sabe como vai terminar.

Tem início a CPI do Cachoeira. Governistas e oposicionistas estão com a faca nos dentes, mas doidos para mudar de assunto.

PS – Ah, sim: tanta movimentação do chefe de quadrilha (segundo a PGR) José Dirceu só serviu para chamar a atenção para o trabalho da quadrilha! Milhares de pessoas já se manifestam pedindo que o Supremo julgue logo o caso do mensalão. Não é mesmo, ministro Ricardo Lewandowski?

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