Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Eles querem seus filhinhos invadindo, depredando, violando leis, mas impunes!

Cada estudante da USP custa a São Paulo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Sim, leitor, você entendeu direito. Eu vivo aqui dizendo que os Remelentos e as Mafaldinhas são filhinhos de papai, certo? Certo! Não sou daqueles que acham que os pais são sempre culpados pelas bobagens que fazem os filhos. Mas, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h11 - Publicado em 13 nov 2011, 06h21

Cada estudante da USP custa a São Paulo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Sim, leitor, você entendeu direito. Eu vivo aqui dizendo que os Remelentos e as Mafaldinhas são filhinhos de papai, certo? Certo! Não sou daqueles que acham que os pais são sempre culpados pelas bobagens que fazem os filhos. Mas, em certos casos, não são apenas os culpados. São também os incentivadores. Leiam trecho de reportagem do Globo. A lógica de alguns é a seguinte: “Já que existe corrupção no Brasil, então tudo pode”. É claro que, se forem vítimas do crime na rua com base nessa mesma premissa, acusarão a polícia de incompetente, não é mesmo?

“Saidinha de banco não tem só na USP, tem todo dia, em qualquer lugar. Foi uma fatalidade”. Com esta frase, Nicéia Cardoso de Souza, de 57 anos, resume sua posição em relação à morte de Felipe Ramos de Paiva, 24 anos, assassinado no campus da Universidade de São Paulo em maio passado. O filho de Nicéia, de 22 anos, foi um dos presos na última quarta-feira, após uma semana de ocupação da reitoria, ato de protesto para pedir a retirada da Polícia Militar da Cidade Universitária. Para Nicéia, não deveria ter sido usado o aparato da Tropa de Choque da PM contra os estudantes. “Os covardes foram com coturnos para tirar 70 coelhinhos que estavam dormindo. Estudante briga, depois fica em paz”.

O filho de Nicéia estudou Filosofia na USP por dois anos, mas abandonou. Agora, faz curso de bartender e trabalha num bar da Vila Madalena. Mesmo assim, estava ao lado dos colegas na madrugada da reintegração de posse e foi detido. Para Nicéia, assim como Felipe, ele estava na hora errada, no lugar errado. ” Ele não invadiu a reitoria. Passou lá para ver como estavam os amigos e acabou preso. Agora, vai ter de arcar com as consequências. Ele não é criança e não tem como fugir. Quem sabe agora ele aprende. Parece fácil brincar de herói, mas não é”.

Nicéia é exceção. Aceitou falar e defendeu abertamente a posição dos estudantes, de que a PM não deve estar dentro do campus. Outros pais também defendem seus filhos, mas não revelam nome e sobrenome. Segundo um empresário ouvido pelo GLOBO, um grupo de pais está formando uma comissão para acompanhar o caso.

Eles querem que a punição aos filhos não seja excessiva. O argumento principal: políticos são corruptos, deputados e membros do Judiciário têm foro privilegiado, por que os estudantes têm de ter punição exemplar? Para os pais, eles não fizeram nada tão grave para servirem de bode expiatório e serem tratados como maconheiros.

A ocupação da reitoria foi o ápice de um protesto estudantil iniciado depois que policiais tentaram deter e levar à delegacia três estudantes que estariam fumando maconha. “A PM cometeu abuso de poder ao prender os três. Fumar maconha não é crime. Políticos cheiram pó, tomam cachaça. Muitos bebem e causam acidentes de trânsito. Ninguém é punido. Defendo a autonomia dos campi, como um local de total liberdade de conhecimento e relações humanas, sem pressões políticas ou externas”, diz um dos pais, engenheiro, que não quer ser identificado.

Entre os alunos presos, há, pelo menos, três filhos de professores de outras universidades. Pelo menos dois deles ocupam posições importantes, mas não retornaram aos insistentes pedidos para que opinassem sobre a posição de seus filhos.
(…)

Comento
Esses papais precisam ter aula de democracia com o governador Geraldo Alckmin:
“Eu entendo que os estudantes precisam ter aula de democracia, precisam ter aula de respeito ao dinheiro público, respeito ao patrimônio público. Não é possível depredar instituições que foram construídas com dinheiro da população que paga impostos. Precisam ter aula de respeito à ordem judicial. É inadmissível isso, é lamentável que tenha que chegar ao ponto de a policia ter que ir lá para fazer cumprir uma decisão judicial, mas ela já foi feita”.


Continua após a publicidade
Publicidade