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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Disputa pela Prefeitura de SP pode marcar fim de uma velha ordem

A disputa pela Prefeitura de São Paulo vai se anunciando uma verdadeira Babel. O PT vai lançar candidato próprio. Se a orientação de Lula for seguida, buscará uma aliança “à direita”. Com quem? O partido dispõe de nomes fortes, mas que carregam solenes derrotas no estado e na cidade, como a senadora Marta Suplicy e […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h11 - Publicado em 25 abr 2011, 21h25

A disputa pela Prefeitura de São Paulo vai se anunciando uma verdadeira Babel. O PT vai lançar candidato próprio. Se a orientação de Lula for seguida, buscará uma aliança “à direita”. Com quem? O partido dispõe de nomes fortes, mas que carregam solenes derrotas no estado e na cidade, como a senadora Marta Suplicy e o ministro Aloizio Mercadante. Seria o caso de investir numa alternativa? Fala-se em Fernando Haddad, ministro da Educação. A área ficaria muito grata, mas duvido um pouco. Apesar de todas as negativas, creio que o PT insistirá num candidato com recall alto.

Uma alternativa à “aliança à direita” seria um nome com trânsito nas faixas mais conservadoras: Antonio Palocci, por exemplo. Mas não sei, não. Ele me parece demasiadamente importante no aparato dilmista. Para que ela possa posar de rainha muda, alguém tem de ser uma espécie de primeiro-ministro. E é ele esse cara. De resto, dados o andar da inflação e o comportamento do câmbio, acho que o ex-ministro tem de ser a “arma poderosa” que fica no banco de reservas se a confiança em Mantega despencar, e a torcida começar a vaiar. Creio que fique onde está. A despeito de todas as negativas e dificuldades internas, a candidata natural, parece, é Marta Suplicy.

O PC do B já se antecipou e “lançou” a candidatura do vereador pagodeiro Netinho de Paula, que vem de uma bem-sucedida campanha para o Senado. O partido acaba de formalizar a adesão à base de apoio ao prefeito Gilberto Kassab. Ficará com uma secretaria extraordinária para cuidar dos assuntos relativos à Copa do Mundo. O PMDB foi em busca de Gabriel Chalita, o segundo deputado mais votado do Brasil, eleito pelo PSB de São Paulo. É um pré-candidato declarado à Prefeitura, mas o próprio PSB, que integra a base de apoio do governo Alckimin, não nutre muita simpatia pela idéia. Chalita, o partido sabe, é um vôo solo.

Há uma teoria um tantinho conspiratória, mas muito influente, segundo a qual o deputado é o candidato do coração do governador Geraldo Alckmin. Escolhido um candidato do PSDB, Alckmin cristianizaria o tucano em favor de seu ex-secretário. Isso só não aconteceria na hipótese de o candidato ser José Serra, coisa de que, por enquanto, o ex-governador não quer nem ouvir falar. A razão é simples: se eleito, estaria fora da disputa presidencial de 2014. Se derrotado, também. Tudo faz crer que Serra não será candidato. Mas ninguém que eu conheça arriscaria o pescoço na negativa. Essa indefinição confunde ainda mais o jogo. Em tempo: acho essa tese da cristianização, ainda que Chalita realmente migre para o PMDB, um pouco aloprada

E o PSD? Com Serra candidato — o que é improvável —, não há razão para especular: o partido estará com ele. Se não for, aí ninguém sabe. O partido vai acumulando arestas com a direção tucana. O evento mais estrepitoso foi a debandada dos seis vereadores. Ainda que só dois tenham anunciado, até agora, a disposição de participar da fundação do PSD, o movimento é dado como “coisa de Kassab”. O ambiente não é dos melhores. Guilherme Afif, vice-governador, antes DEM e agora fundador do PSD, era considerado um potencial candidato à Prefeitura. Agora… O PSD não disporá de tempo próprio no horário eleitoral gratuito. Para ter o seu candidato, precisaria estar numa coligação. Não sendo com Serra, seria com quem?

A disputa em São Paulo, no ano que vem, pode desenhar a nova configuração partidária no Brasil. A polarização PSDB-PT vai assumindo características de uma velha ordem. Uma outra pode não ser necessariamente melhor, vamos ver, mas é fato que os olhos com que se via o cenário político até o fim do ano passado terão de se adaptar a uma nova realidade.

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