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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Cuidado com “A Pícara Sonhadora”, rapaz!

No post abaixo, dou uma esculhambada num comentário de Arnaldo Jabor, segundo quem só os picaretas reagem às boas ações de Dilma Primeira. Ele pensava o mesmo daqueles que reagiam às medidas adotadas por FHC e Lula… Por alguma razão, ele parece considerar que a adesão é moralmente superior à reação. Eu não chego a […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h52 - Publicado em 10 fev 2011, 17h58

No post abaixo, dou uma esculhambada num comentário de Arnaldo Jabor, segundo quem só os picaretas reagem às boas ações de Dilma Primeira. Ele pensava o mesmo daqueles que reagiam às medidas adotadas por FHC e Lula… Por alguma razão, ele parece considerar que a adesão é moralmente superior à reação. Eu não chego a pensar o contrário, mas confesso certa simpatia pelos que vão na contramão. Costuma ser a minoria a provar as virtudes, ou falta delas, de um governo constituído com o voto da maioria. É um primado da democracia, esse!

Jabor é de outro tempo, de outra geração. Volta e meia, o CPC da UNE ainda vaza em seus comentários. Eram dias aqueles em que o PCB, o “partidão”, dava as diretrizes da luta política — depois a coisa descambou para a luta armada, terrorismo etc, práticas a que Dilma Rousseff aderiu. O “partidão” seguiu firme na luta política apenas, reunindo forças… Não vou me deter nisso agora. Havia um mecanismo mental, que sobrevive ainda hoje em muitas cabeças, segundo o qual é preciso ver sempre quais são as alianças possíveis contra o inimigo principal. As contradições secundárias são, pois, secundárias desde que estejamos atentos à contradição fundamental. A linha do partidão, por exemplo, pregava a união das esquerdas com a burguesia nacional contra o imperialismo e o capital internacional, que eram os males verdadeiros, os inimigos reais.

A cabeça de Jabor, de algum modo, é a mesma: sempre buscando as alianças táticas contra o inimigo principal. No governo Lula, seriam os “bolchevistas” atrasados que não percebiam a modernidade do Apedeuta; no governo Dilma, é o Apedeuta, com seu personalismo… Nos dois casos, evidentemente, há um erro fundamental se o paradigma é a democracia representativa: o PT, que hoje reúne Lula e Dilma numa festança para saudar as “conquistas” de um e reiterar o “apoio” à outra, é o suporte de um e de outra. O poder real dessa organização não está, ademais, no Orçamento da União, com ou sem corte, mas no aparelhamento dos fundos de pensão, dos órgãos do Executivo e do Judiciário, dos sindicatos e das estatais.

Não entender isso, lamento dizer, é, com efeito, não entender o principal, o fundamental. O resto é firula de quem confunde a realidade com um filme ou uma novela de TV. Jabor que se cuide! Ou ainda vai dirigir um remake de “A Pícara Sonhadora” no SBT.

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