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Alô, Folha de S. Paulo: aparelharam o Painel do Leitor. Aqui está a prova

Escrevi ontem, vocês se lembram, que a maioria silenciosa dos leitores dos jornais era dominada por uma minoria barulhenta. Acreditem. A seção de cartas da Folha, o Painel do Leitor, está aparelhada pela esquerda. Foi assaltado pelos profissionais da reclamação e da patrulha. Eu quis saber quem era aquela gente tão severa com o meu […]

Escrevi ontem, vocês se lembram, que a maioria silenciosa dos leitores dos jornais era dominada por uma minoria barulhenta. Acreditem. A seção de cartas da Folha, o Painel do Leitor, está aparelhada pela esquerda. Foi assaltado pelos profissionais da reclamação e da patrulha. Eu quis saber quem era aquela gente tão severa com o meu artigo — que, no fim das contas, só defendia a legalidade. Dos 12 que me atacaram, consegui mapear 8 (ou melhor: um deles mapeou-se a si mesmo). O resultado segue abaixo, com um trecho da esculhambação (em vermelho) e a ficha. O sotaque petista da maioria é inequívoco. E não percam a transcrição da carta de um tal Leonardo Barbosa e Silva, para quem um crime “atravessado” (sic) pela questão social tem de ser visto não pelo ângulo da “formalidade democrática”. Respondo a ele.

O que há de grave nisso? Militantes forjam uma opinião média que é falsa. Para a Folha, é também um risco, quero crer — e isto não é uma tentativa desastrada de ajuda: eles sabem se cuidar e não precisam de mim. Um risco por quê? Mais de uma vez, já li textos do ombudsman (deste e de outros) referindo-se a reclamações dos leitores. Afinal, ele está lá para isso mesmo. Imaginem a festa que os petralhas não fazem, patrulhando o jornal e tentando lhe impor a linha justa.

A acusação deve ser a de sempre, a que chega a todos os grandes veículos: “Vocês são de direita, antipetistas, tucanos” etc e tal. Temo que essa gritaria não seja irrelevante. Há a hora em que é preciso coragem, não é?, argumenta o ex-trotskista. Jornais, revistas, emissoras de TV e até blogs têm de ser a vanguarda do debate, e não caudatários de minorias organizadas e barulhentas.

Vamos à ficha dos valentes:

1) “É triste perceber que nada muda nas consciências deste país. Prefiro Ferréz, Mano Brown e o mano que levou o Rolex. Isso não quer dizer apologia de crime, mas indica claramente a escolha por um dos lados.”
ROGERIO BASALI professor de filosofia (São Paulo, SP)

Apesar do “São Paulo” do endereço, é professor da Universidade de Brasília e já deu aula também na Unicamp. No dia 21 de julho do ano passado, informava o site esquerdista Centro de Mídia Independente: “O professor Basali, militante da causa Palestina, sempre propõe em seus cursos pensar os eventos contemporâneos de violência nos territórios palestinos ocupados por Israel, visando compreender complexas questões da política mundial a partir das reflexões filosóficas.” O homem gosta de “opinar” na imprensa. Em 2002, a seção de cartas da VEJA trazia o indignado: “Os discos dos Racionais MC’s, desde Raio X do Brasil, estão cada vez mais maduros. Sou professor e utilizo suas músicas para ilustrar aspectos que julgo relevantes na formação crítica para o pensar”. Sacou, meu? Ele usa o Racionais para “o pensar” Procurem um texto meu em que trato a substantivação de verbos como um dos índices da picaretagem intelectual.

2) “Analisar o crime como mera ação da perversidade humana é de uma simplicidade atroz. Como jornalista bem informado que é, o senhor Azevedo há de concordar que os fatores sociais são causa e explicação da degeneração das sociedades modernas.”
PAULO ROBERTO PEDROZO ROCHA (Osasco, SP)
Também é professor de filosofia. Eu não disse que o crime é “mera ação da perversidade humana” porque não escrevo com os joelhos. E não concordo que os fatores sociais “são causas e explicação da degeneração etc”. Porque aí é pensar com quatro patas. Mas o que interessa é que o sr. Paulo Roberto é outro freqüentador das seções de cartas, como esta elogiando a revista esquerdista Caros Amigos: “As matérias sobre a Polícia Federal são exemplos de bom jornalismo, pois mostram não somente a opinião daqueles que exaltam o trabalho da PF como também a versão de seus críticos. A mim, como a muitos leitores, resta apenas a tristeza de saber que apesar dos muitos esforços despendidos pela PF a grande maioria dos ‘delinqüentes de luxo’ continua solta.” A página está aqui

3) “A solução simplista para os problemas da violência não surpreende. Os números apresentados mostram uma redução do crime a partir do aumento da quantidade de presos. Daí a ser esta a melhor solução há uma grande diferença. Não se analisa a causa da criminalidade, são sugeridas ações repressoras apenas”.
ALEXANDRE MARUCA
É engenheiro e assíduo freqüentador da seção de cartas do site esquerdista Carta Maior, como esta, de 6 de julho de 2007: “Muito bom. Vale lembrar que o tema preponderante a quem se interessa por justiça social é distribuição de renda. Quem é contra este tipo de movimento é contra a distribuição, a favor da manutenção da concentração nas mãos dos grupos já conhecidos. Dar condições de acesso aquem tem menos poder é importantíssimo. Sou a favor.”

4) Admira, ademais, a notável manipulação da estatística por ele apresentada desrespeitosa para com os leitores desta Folha, na medida em que se sabe que a queda na criminalidade dos anos recentes ocorreu em São Paulo assim como em outros Estados que não possuem nem de longe os mesmos índices de encarceramento,
ROGÉRIO F. TAFFARELLO
Rogério Fernando Taffarello é advogado. Desafio-o a provar que alguma outra cidade teve queda sequer próxima no número de homicídios. Ele não vai porque não aconteceu. Mas vamos ao que interessa. É um profissional dos artigos. Está em todas as bocas. Quer ler, por exemplo, um para o site do Senado? É só clicar aqui. Coloque o nome do homem no Google. Aparece até seu e-mail pessoal. Pelo que vi, sua militância está muito próxima da corrente esquerdista chamada “Direito Achado na Rua”, que considero um delírio esquerdopata.

5) “Reinaldo Azevedo tem razão ao dizer que estamos vivendo a ‘revolução dos idiotas’. Ele é a melhor prova disso. (…) Como ele bem disse, a minha pluralidade não alcança tolerar idiotas com idéias tão retrógradas.”
RENATO KHAIR
É defensor público. E meu acusador, hehe… É o mais profissional deles todos. Você encontra cartas do homem em tudo quanto é lugar. No próprio Painel, há algumas. No Globo, há este mimo: “A maioria dos brasileiros apóia a pena de morte e reprova a eutanásia e o aborto. Haja conservadores e reacionários! Estamos na contramão da história. Enquanto os países da Europa legalizam o aborto, a eutanásia e o porte de pequenas quantidades de maconha, aqui no Brasil esses temas ainda são tratados como tabus, sem reflexão, com base na proibição e no castigo.” Ele manda e-mails, EU JURO, até para a seção de cartas do Senado, como este, do dia 6 deste mês: “O Ministério do Trabalho flagrou 1.108 cortadores de cana-de-açúcar submetidos a condições degrada ntes de trabalho no Pará. Depois de mais de 500 anos de exploração, parece que o Brasil continua sendo uma “terra-de-ninguém”, uma verdadeira selva. Renato Khair, São Paulo

6) “Proponho ao sr. Reinaldo Azevedo que leia ‘O Ideal do Crítico’, de Machado de Assis. Talvez ajude-o a superar sua ‘aporia vejaniana’.”

ANGELITA MATOS SOUZA
“Aporia” é uma das palavras-fetiche dos acadêmicos, pensei cá comigo. E fui tentar saber quem era a moça com nome de modelo, socialite e atriz. Bingo! É doutora pela Unicamp, professora da PUC de Campinas, além de “cientista social e cinéfila”. Há até uma foto da tipa aqui. O nome de sua tese não poderia ser, como diria Paulo Francis, mais “pseudo”: “Deus e o Diabo na Terra do Capitalismo Tardio”. Aí ela vai pensando o Brasil segundo nomes de filmes. Não é mimosa? No filme Ata-me, pensa o golpe de 1964: “Os militares saíram da caserna para acabar com os movimentos populares e também para resolver a pendenga em torno do modelo de desenvolvimento, em favor do grande capital monopolista, nacional e transnacional. Roberto Campos e Octávio Bulhões, ministros do primeiro governo militar, instituíram os mecanismos de articulação dependente com o mercado internacional.” Huuummm… Viram só? Ainda bem que João Goulart ajudou com a desordem, né? De resto, essa tese não é dela, mas de René Armand Dreyfuss em 1964 – A Conquista do Estado. Tá aqui. Lido e fichado. E eu proponho a Angelita que vá estudar ou tente ser bonita…

7) Uma leitora, coitada!, atreveu-se a falar bem do meu texto. Pra quê? Levou isto: “’Li no ‘Painel do Leitor’ de ontem carta da senhora Sueli Loschiavo da Silva na qual ela afirma: “Está mais do que na hora de decidirmos se desejamos democracia ou se desejamos a barbárie, onde o homem é o lobo do homem…”. Gostaria de saber se ela considera democrático um mundo no qual seis milhões de crianças de menos de um ano morrem anualmente de fome e de doenças relacionadas à desnutrição
ALFREDO SPÍNOLA DE MELLO NETO
Mais um profissional das cartas. O ombudsman da Folha já o considerava uma espécie de auxiliar em 1995. Encontrei carta sua também na VEJA.

E, abrindo a seção de hoje, mais uma cartinha. Leiam:

8) “O senhor Reinaldo Azevedo expressa fielmente o pensamento de direita nesse país (“A pluralidade e a revolução dos idiotas”, 15/10). Defende a propriedade privada, resiste às políticas públicas de recorte social mais profundo e esconde-se atrás da democracia formal. E pergunta: por que o roubo de um Rolex e não a pedofilia? Simples, porque o primeiro pode estar atravessado por uma questão social, e o segundo não. A formalidade democrática sempre o impedirá de perceber isso. De todo modo, pelo menos o senhor Azevedo não se apresenta como os tucanos dos anos 90, que insistiam em nos convencer de que o neoliberalismo deles era de esquerda. É de direita e dá a cara para bater. Prefiro assim”
LEONARDO BARBOSA E SILVA, professor substituto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Uberlândia, MG)
Ô, Leonardo! Substituto por quê? Você já está pronto para ser titular, tal é a sua estupidez. Quer dizer que um crime, quando “atravessado” (sic) pela questão social, é legítimo e deixa de ser crime? Entendi: precisamos superar a “formalidade democrática” para cair na informalidade da tirania “do social”. No mínimo, esse asno achou que a sacada era esperta e me deixaria mudo de espanto. Nem vou perguntar quem seria, no caso, o juiz porque, é claro, a Justiça pertence àquele arcabouço da “formalidade democrática”. Sim, sou de direita. Mas, se você bater na minha cara, quebro o seu focinho.

Ah, sim, ele é autor de uma tese sobre o governo FHC e o funcionalismo público. Um trechinho da apresentação: “Este trabalho resulta da dissertação de mestrado defendida com o intuito de avaliar o tamanho do desmonte da Era Vargas realizado nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso (doravante FHC). Sem dúvida, as condições e o papel dos servidores públicos sempre estiveram na mesa do Executivo federal para instrumentalizar seus projetos.” Santo Deus!
Aqui estão 8 das 12 porradas que recebi: 66%. Entenderam agora por que eu chuto o traseiro dos petralhas no meu blog?
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