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Afif, vice-governador, mas ministro; liberal, mas num governo de esquerda; ideológico, mas pragmático…

A partir desta quinta, Guilherme Afif Domingos (PSD) é vice-governador de São Paulo e ministro da Micro e Pequena Empresa. É o vice constitucional de Geraldo Alckmin — e só está nessa posição porque seu partido de origem, o DEM, participou de uma composição política — e braço operativo da presidente Dilma Rousseff, cujo partido […]

A partir desta quinta, Guilherme Afif Domingos (PSD) é vice-governador de São Paulo e ministro da Micro e Pequena Empresa. É o vice constitucional de Geraldo Alckmin — e só está nessa posição porque seu partido de origem, o DEM, participou de uma composição política — e braço operativo da presidente Dilma Rousseff, cujo partido tem como meta tirar Alckmin daquela cadeira. E Afif só está nessa posição porque seu novo partido, o PSD, participou de uma outra composição política. Ele se tornou vice pelas mãos do povo — integrou a chapa eleita. E se fez ministro pelas mãos de Dilma. Ele chama isso de pragmatismo. Leiam entrevista concedida a Felipe Frazão, a da VEJA.com. Comento no próximo post.

Guilherme Afif Domingos, de 69 anos, paulistano de orientação política liberal acaba de materializar o que Gilberto Kassab idealizou para o seu Partido Social Democrático (PSD): uma sigla “nem de esquerda, nem de direita e nem de centro”. Até quando vai durar ainda não se sabe, mas Afif pretende manter um pé em cada canoa: simultaneamente, exercerá os cargos de vice do governador do tucano Geraldo Alckmin e ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da petista Dilma Rousseff. “Sou construtor de pontes”, diz. Para ele, renunciar ao posto no Palácio dos Bandeirantes seria o equivalente a uma cassação, já que foi eleito para o cargo. “Isso tudo é da guerra política do PT com o PSDB, mas eu ão estou em guerra com ninguém.” Leia trechos da entrevista ao site de VEJA.

Como o senhor vai separar a aproximação que Gilberto Kassab (PSD) faz com o PT da sua nomeação?
A minha nomeação se deve à biografia e à minha história, minhas votações sempre foram em função da minha história e biografia. Se continuar cumprindo rigorosamente a missão de executar aquilo que sempre preguei, tenho certeza que o eleitor compreende.

O ministro Gilberto Carvalho já fala como se o PSD estivesse na base do governo.
O PSD tem sempre ajudado o governo nas votações sem participar, vai continuar não participando e há uma forte tendência em apoiar a reeleição da presidente Dilma. Mas não vai fazê-lo agora, por troca de cargos, mas sim depois, porque o partido passa a ter o direito de participar, já que ajudou a eleger. A posição é cristalina, e meu caso é de escolha pessoal da presidente por afinidade conceitual. Ela acredita nos mesmos pontos que eu em termos de política de pequena empresa. E para isso ela não olhou meu partido, olhou minha biografia e conciliou de eu estar num partido completamente amigável.

O senhor materializa agora aquilo que Kassab disse quando fundou o PSD: que a legenda não seria nem de direita, nem de esquerda, nem de centro?
O Kassab falou nem de esquerda, nem de direita. Hoje ele fala que é centro radical (risos). Na verdade esse conceito de direita e esquerda já foi. Apoiar a micro e a pequena empresa é de esquerda ou de direita? Antigamente se dizia que era de direita. Hoje faz parte das políticas sociais. São conceitos tão ultrapassados que não têm nada a ver com os anseios da sociedade de hoje.

O que motivou o senhor a não renunciar ao cargo de vice-governador?
Você quer que eu renuncie a um cargo que fui eleito? Estão querendo me cassar? Eu não fui nomeado, fui eleito. Portanto, a minha renúncia é grave. Como eu vou renunciar? Eu não posso me licenciar, porque o vice é licenciado por natureza. Uma renúncia é um ato muito grave.

Mas o senhor quis ficar no cargo só para não ter de renunciar?
O vice não é função ou cargo, é uma expectativa de poder. O vice é um stand by. Está ali para substituir o governador em suas ausências. O governador não pode acumular cargo, sob o risco de perder o mandato. Sobre o vice a legislação não fala, ela é omissa. E aí tem a interpretação de que por ser expectativa de poder, não está impedido de acumular outra função pública. Não há impedimento, do ponto de vista legal.

A renúncia não evitaria esse desgaste de ter uma apuração na Comissão de Ética da Presidência, pedido de cassação na Assembleia Legislativa de SP…
Isso tudo é da guerra política do PT com o PSDB, mas eu não estou em guerra com ninguém. Estou trabalhando para o meu estado e para o meu país. Eu sou e honro o PSD, sou construtor de pontes.

O senhor tem de abrir mão de uma das remunerações. Qual será?
Acabei de entregar, porque tinha de fazer na véspera da nomeação. Recebo só do cargo federal [26 700 reais]. E entreguei ao governador Geraldo Alckmin a carta pedindo exoneração da presidência do Conselho das Parcerias Público-Privadas do estado.

O senhor iria tentar, mesmo informalmente, combinar as datas de viagens ao exterior com as do governador para não ter de assumir?
Isso é conversa. Estou muito à vontade, porque o Geraldo raramente viaja. Ele gosta de estar no comando. Viagem é exceção, não regra. E quando isso acontecer nós vamos administrar de forma tripartite. Não estou aqui para criar problema nem para ele nem para a Dilma. Para eu assumir cargo, tenho de renunciar temporariamente ao ministério. Então renuncio por três dias e sou renomeado, para poder cumprir a missão constitucional.

O senhor se ressente das críticas de um partido próximo e de um governo do qual fez parte?
Não, eu compreendo. São todos meus queridos amigos, meus companheiros. Nenhum me fez crítica pessoal. O Alberto Goldman (PSDB), como vice-governador do José Serra (PSDB), acumulou a Secretaria de Desenvolvimento e não pode criticar. Ele conhece a lei e renunciava quando o Serra viajava. O Aloysio Nunes arrasou a história dos ministérios, mas fez questão de ressalvar a minha pessoa.

Que cara o senhor pretende dar ao novo ministério?
Será uma secretaria muito enxuta, porque é uma secretaria de articulação e formulação, não de execução. Para isso, temos uma das mais bem aparelhadas estruturas do Brasil, o Sebrae. Ele tem capilaridade, mas carece de um órgão formulador. Esse é um ministério de mais verbo do que verba. Falam em 7 milhões de reais [de orçamento], o que para mim é o suficiente para ter uma estrutura enxuta e eficaz.

Qual será a política nacional prioritária?
A curto prazo, é uma missão que o ministério vai receber da presidenta: desburocratização de sistemas que afetam gravemente o ambiente de negócios do micro e do pequeno empresário. No Brasil, para cada um que quer empreender tem vinte para atrapalhar. Isso é traduzido principalmente no tempo de abertura e fechamento de empresas.

Quem o senhor vai trazer para a equipe, até para evitar o aparelhamento que sempre criticou?
Será absolutamente técnico. Eu só estou trazendo três técnicos para a cabeça do sistema. Um será o secretário-executivo, vulgo vice-ministro, o diretor de desenvolvimento e o diretor de desburocratização. Não vou anunciar os nomes agora, porque fazem parte da máquina estadual e municipal e têm prática e visão do que deve ser feito.

O senhor não se candidatará a nada em 2014?
Não me candidatarei porque estou na [aposentadoria] compulsória (risos). Setenta anos é a compulsória. Tenho que abrir espaço para a nova geração: Kassab, Eduardo Campos (PSB), Aécio Neves (PSDB). Essa é a nova geração, a turma que está no jogo, a gente tem de saber chegar a isso.

Qual seu sonho político?
Meu sonho é realizar intensamente e com muito entusiasmo a oportunidade que a presidente está me dando. E que começa nesta quinta-feira.

A aliança pela reeleição de Dilma é fato consumado no PSD?
Majoritariamente. A gente sente isso no partido. Nos estados tem de acomodar e respeitar as situações locais.

O senhor acha que o PSD deve ter candidato próprio ao governo de São Paulo?
A diretriz geral que vale para São Paulo é manter ou ampliar a bancada federal, porque ela determina o tempo de TV, que é ouro para qualquer campanha. Para isso, tem de lançar o maior número de candidatos majoritários com viabilidade nos estados. Se a sua viabilidade é menor, busque uma composição. O nome natural é o Gilberto Kassab a candidato majoritário – leia-se, governador, vice-governador e senador.

O PSD, no caso o Kassab, poderia compor com o governador Geraldo Alckmin?
Vou apenas relatar um fato que ouvi. Quando no fim de 2012 fomos cumprimentar o governador no Natal, ouvi textualmente o Gilberto dizer para ele: ‘Não tenho nenhuma mágoa de passado’. E deram um aperto de mãos. Em política, você tem de ser pragmático e raciocinar com a cabeça. Não com o fígado.

Comentários
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  1. Comentado por:

    guararapes

    Isso que é um político multifuncional…
    Pertence ao PSD…É vice governador do PSDB…e Ministro do governo PT….
    Cara de pau é o que não lhe falta…Será que ele não tem também uma banquinha lá na Feira da Madrugada no Brás ????
    O negócio dele é se dar bem…não é BATRÍCIO ?????

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  2. Comentado por:

    Roberto K.

    Quem quer ser tudo, acaba não sendo nada!

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  3. Comentado por:

    Lun_ático

    SERIA PÂNDEGO SE NÃO FOSSE FUNESTO.
    Existem certos animais rasteiros (como as cobras) que têm língua de duas pontas. É bifurcada, mas única, vinculada a UM SÓ CORPO! Apesar de dividida em sua parte anterior, a língua bífida, ou bipartida, condiciona-se aos estímulos de UM SÓ COMANDO, porque suas pontas (apesar de diversificadas) não possuem autossuficiência.
    Partindo de tal exemplo ilustrativo, como poderia alguém – em sã consciência e de modo regular ou, mesmo, leal – obedecer a dois comandos que não têm a mesma fonte originária, pertencem a níveis distintos e possuem posturas antagônicas, excludentes umas das outras?
    Ninguém pode servir a dois senhores em condições de normalidade e o exercício concomitante dos cargos de ministro de Estado e de vice-governador é incompatível com a plena disponibilidade exigível em ambos os casos. Por outra parte, um vice-governador não é mero substituto do titular em suas ausências (porque tem, ou deveria procurar ter, atividades específicas), caso contrário – a partir de sua posse no cargo – só faria jus a percepção de remuneração nas oportunidades das substituições que ocorressem. Seria como que uma espécie de descompromissado e inoperante circunstancial, o que não condiz com as regras que norteiam toda e qualquer modalidade de função, pública ou privada.
    O governador NÃO PODE ACUMULAR CARGO e seu vice TAMBÉM NÃO. Se quem (enquanto vice) não tem o mesmo múnus de quem PODE O MAIS (como substituto do governador) então não teria condição de fazer as vezes do titular. Seria, assim, uma espécie de borralheira, com direito a usar sapatinho de cristal somente quando se tornasse Cinderela para ir à festa no castelo do príncipe…
    É deplorável a irresponsabilidade com que certas autoridades públicas encaram as funções que lhes são cometidas e fabricam conceituações a seu respeito, ao ponto de um presidente da República afirmar publicamente (como inúmeras vezes posto em prática pelo então presidente Lula da Silva) que depois do ENCERRAMENTO DE SEU EXPEDIENTE DIÁRIO (?) podia dedicar-se a campanhas eleitorais, inclusive deslocando-se (com sua comitiva) da sede de sua atuação para outras unidades federadas, tudo às expensas do erário..
    O caráter e o espírito das atividades públicas, dia-a-dia, reduzem-se a pó-de-traque, sem que se tomem providências para coibir os abusos!
    A se reproduzir amiúde o desenvolvimento pernicioso desses seguidos desmandos e interpretações egocêntricas nada ortodoxas, entraremos em séria crise na qual os governantes, a bel prazer, “particularizarão” e capitalizarão interesses e privilégios e “socializarão” apenas árduos encargos, em detrimento dos costumeiros contribuintes.
    A corrupção é uma enfermidade contagiosa e multifacetada, com uma infinidade de tentáculos!

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  4. Comentado por:

    pedrosa

    Como pode ser tao idiota, e colaborar com esse PT. se vendeu, Judas , absurdo, falta de personalidade,perfil
    de mtos politicos , eleitos pela sapiencia deste culto povo….

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  5. Comentado por:

    Ananias

    Esse caso do Afif, é mais um, entre vários outros sinais desalentadores para o futuro do país.
    Empresários, políticos, ex-juízes do STF, artistas, jornalistas, e outros, aparentemente competentes e realizados em suas vidas, mas que nunca tiveram alinhamento com o PT, acordam um dia e se vendem por qualquer mixaria oferecida pelo Lula ou a Dilma. No caso desse Afif o preço é um ministério “chinfrim”, em outros casos é uma comissão federal “qualquer” ou um conselho de estatal. O prejuízo é grande. Pessoas que até então tinham visibilidade e autoridade moral para fazer críticas e denunciar o incompetente governo federal petista, tornam-se da noite para o dia, capatazes do latifúndio federal petista, bajuladores dessa cambada de incompetentes e suas ídeias ultrapassadas que atrasam o desenvolvimento do país. Pelo menos isso serve para nos mostrar os “mediocres confessos”, pois se já tiveram algum valor antes, é isso que eles se tornam ao se vender a preço tão barato para o PT.

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  6. Comentado por:

    atojr

    O fisiologismo é do tamanho da dissidência maçônica a que ele pertence!

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