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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A HORA DOS RIDÍCULOS – A nova fantasia que está na praça: agora VEJA estaria conspirando com assessores de Dilma!!! Ulalá!!! Daqui a pouco, até eu estarei conspirando com o PT — com a ala direita, claro!

Caros leitores, na guerra contra a informação e a verdade que marca esse período pré-CPI, vocês têm duas alternativas: ou operam com a lógica ou aderem às teorias as mais alopradas. A esgotosfera, o JEG, e outros genéricos de aluguel passaram a defender a tese mentirosa de que Carlinhos Cachoeira passou à VEJA todas as […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 09h03 - Publicado em 21 abr 2012, 07h37

Caros leitores, na guerra contra a informação e a verdade que marca esse período pré-CPI, vocês têm duas alternativas: ou operam com a lógica ou aderem às teorias as mais alopradas. A esgotosfera, o JEG, e outros genéricos de aluguel passaram a defender a tese mentirosa de que Carlinhos Cachoeira passou à VEJA todas as informações que resultaram numa série de reportagens que levaram à demissão da cúpula do Ministério dos Transportes e do Dnit. Primeira falha cretina de raciocínio: será que a presidente Dilma Rousseff teria feito a limpa (ao menos daquela turma) na pasta se não tivesse constatado a existência das irregularidades? Quem decide quem fica no Ministério e quem sai? VEJA ou Dilma? Mais adiante, demonstro com números por que o Ministério dos Transportes e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) não eram exatamente inimigos da Construtora Delta, que operava em parceria com Cachoeira.

Reportagem do Estadão de hoje dá espaço a Luiz Antônio Pagot, justamente o ex-diretor-Geral do Dnit, que foi defenestrado naquela leva. E dá espaço para quê? Para que ele, olhem que espetáculo!, especule sobre quais teriam sido as fontes da VEJA e lance uma teoria nova. Digo, em tom de ironia, é evidente —  porque se trata de um absurdo em si — que a VEJA também deveria se dedicar, como carinho recíproco, a especular sobre as fontes dos repórteres do Estadão. Seria um momento lindo do estado protototalitário: jornalistas passariam a fazer reportagens sobre a reportagem de outros jornalistas, deixando o governo de lado. Tenham paciência! Isso é perda de parâmetro! Mas sigamos.

Ao repórter Fábio Fabrini, Pagot lançou uma nova teoria. Reproduzo trechos:
“Pagot afirma que o subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e o porta-voz da Presidência e do Palácio no Planalto, Thomas Traumann, repassaram dados de reunião sigilosa da presidente Dilma Rousseff com a cúpula dos Transportes, em 5 de junho de 2011, para o grupo de Cachoeira, cujos detalhes e frases, em seguida, foram reproduzidos pela revista Veja.

Segundo Pagot, havia duas pessoas que tinham trânsito com a VEJA: “Uma se chamava Thomas Traumann, que tinha trabalhado junto na VEJA e trocava informações. A outra pessoa era Olavo Noleto, que circulava com desenvoltura e participou dessa reunião”. Bingo!!! (Ooops!!! Bingo não!!!). Gente como esse tal Pagot acusa a revista de muita coisa… De estar mancomunada com o governo Dilma — ou com parte dele, bem…, acho que é a primeira vez.

Não fica claro qual hipótese Pagot acha a mais provável: os assessores de Dilma passaram as informações a Cachoeira (e este à revista — hipótese em que um dos homens que trabalham diretamente com a presidente seria de tal sorte íntimo do bicheiro que lhe revelaria até detalhes de reunião com ministros) ou, então, transmitiram-nas diretamente à reportagem.  Mas por que assessores palacianos quereriam derrubá-lo? “O porquê não sei: se fizeram isso de caso pensado, se fizeram sob o comando do governo, se estavam fazendo como aloprados do PT, não sei”…

Agora atenção!
Vamos aos fatos. Tudo indica que a Delta operava em parceria com Cachoeira, certo? Certo! A construtora — e, subentende-se, o bicheiro — tinha interesses no Dnit, certo? Certo! Ainda que fosse verdade (e não é) que tudo tivesse acontecido conforme dizem o JEG e outros vendidos, foi a roubalheira desmesurada (e sem nem mesmo a prestação mínima de serviços), revelada por VEJA, que derrubou a cúpula dos transportes; a revista só a trouxe à luz, cumprindo a sua função. Se tudo tivesse acontecido como diz Pagot, aí seria ainda mais apimentado: a conspiração teria juntado VEJA, Dilma e Cachoeira! Caramba!!!

Vejam a que ridículo chegam essas especulações! Será que a Delta — e, pois, Cachoeira— tinha motivos para brigar com o Dnit? Ontem, o departamento divulgou todos os contratos mantidos com a construtora. Desde 2002, a empresa recebeu do departamento a bolada de R$ 3,2 bilhões, em 284 contratos, 99 dos quais estão em vigência, somando, só estes, R$ 2,5 bilhões. Tudo somado, a cifra chega a R$ 5 bilhões. Desse valor, R$ 406 milhões decorreram de meros aditivos.

Com toda essa montanha de dinheiro, o fato é que a presidente da República, naquela histórica reunião com a cúpula dos Transportes, deu um murro na mesa! “Ah, quem contou isso pra VEJA, hein???” Ainda que eu soubesse, mandaria o curioso consultar a Constituição para saber o que é sigilo da fonte. Ela queria saber onde estavam as obras. Pagot vem agora dar uma de inimigo da Delta e de seus métodos? Daqui a pouco haverá gente propondo a canonização daqueles santos que cuidavam da área no Brasil…

Concluindo
É isso aí… Fiquem especulando sobre as fontes dos repórteres de VEJA… Grande e meritório trabalho esse!  Eu, por aqui, vou pondo um ponto final. Preciso conspirar agora com alguns petistas do Palácio (da ala direita, é lógico) para derrubar mais alguns patriotas como Pagot…

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