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“Erro” no Pnad: governo vai criar comissões de especialistas

No Globo. Volto no próximo post: A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o governo está chocado com o erro no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado na quinta-feira, que provocou incorreções em resultados de sete estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 03h03 - Publicado em 19 set 2014, 22h18

No Globo. Volto no próximo post:
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o governo está chocado com o erro no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgado na quinta-feira, que provocou incorreções em resultados de sete estados: Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, que respondem por mais de 59% da população brasileira, segundo as estimativas populacionais para 2014. Entre os dados corrigidos, o IBGE informou que agora a desigualdade no país caiu, em vez de subir. O instituto negou que qualquer ingerência política tenha levado à correção dos dados.

Segundo Miriam, será constituída uma comissão de sindicância para encontrar as razões dos erros e, eventualmente, as responsabilidades funcionais por que isso aconteceu. “O governo está chocado com esse erro cometido pelo IBGE. Como disse a presidente do IBGE, doutora Wasmália Bivar, é um erro gravíssimo. E, em razão disso, o governo decidiu duas coisas. Em primeiro, constituir uma comissão de especialistas independentes para avaliar a consistência da Pnad”. A comissão de sindicância será formada pelos ministérios do Planejamento, da Justiça e da Casa Civil, além da Controladoria-Geral da União. O grupo de especialistas ainda será formalmente convidado e deverá ter um prazo para apresentar seus resultados. Antes de se manifestar em entrevista coletiva na sede do ministério, a ministra esteve com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, para avaliar a situação. Questionada sobre os problemas recentes de falta de quadros e ameaças de greve, além de um processo de cortes de gastos estar prejudicando as pesquisas do IBGE, a ministra negou essa relação. “O quadro de funcionários cresceu 6%, neste ano nós liberamos 660 novos servidores ao IBGE, exatamente para dar as condições de ele seguir fazendo as suas pesquisas e o orçamento, nesse período nosso no governo, cresceu mais do que 60%”, disse.

A ministra não quis comentar a hipótese de ter ocorrido um erro deliberado na elaboração dos resultados da pesquisa, nem sobre uma eventual demissão de Wasmália. Segundo ela, é preciso esperar os resultados da comissão de sindicância. De acordo com os novos cálculos apresentados pelo IBGE nesta sexta-feira, o índice de Gini da renda do trabalho, um dos indicadores de desigualdade, passou de 0,496 para 0,495 em vez de subir para 0,498, como o IBGE tinha informado anteriormente. O índice de todas as fontes tinha ficado estacionado, mas agora ele cai para 0,501. Já o Gini domiciliar tinha subido de 0,499 para 0,500 e agora cai para 0,497. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. No novo cálculo, no Gini de todas as fontes, os 10% mais pobres têm avanço na renda superior aos 10% mais ricos. A renda da base avançou 2,9%, enquanto na parcela dos mais ricos, 2,1%.

Desemprego
Já a taxa de desemprego, que entre 2012 e 2013 subiu de 6,1% para 6,5%, foi mantida. Mas, na revisão dos dados de 2013, a população desocupada subiu menos: em vez de 7,2%, avançou 6,3%, para 6,6 milhões de pessoas. Os novos cálculos mostram ainda que a taxa de analfabetismo caiu menos do que o estimado anteriormente. Os dados de quinta-feira mostravam o percentual passando de 8,7% para 8,3%. Agora, a redução foi menor, para 8,5%. O trabalho infantil também registrou uma queda menor. Passou de -12,3% para -10,6%. Os anos de estudo passaram de 7,7 anos para 7,6 anos agora.

Erro em “numerinho”
O diretor de pesquisa do IBGE, Roberto Olinto, explicou o falha, ocorrida na hora de colocar uma variável. E justificou as mudanças no resultado da Pnad: “O erro ocorreu porque o peso de nove regiões metropolitanas foi superestimado. Como o rendimento de regiões metropolitanas é normalmente maior que o das demais, o rendimento dos 10% mais ricos foi maior e isso impactou o Gini, Por outro lado, como o analfabetismo é maior no interior, com a correção, cresceu”, disse Olinto. “Como a amostra não cobre toda a região, existem pesos para cada região. Os dados brutos não têm problema, a questão foi na hora de calcular o numerinho que compõe a amostra, nesse processo, problema restrito às regiões metropolitanas de sete estados.”

“Extremamente grave”
O problema foi identificado por consultorias econômicas e outros órgãos do governo, que questionaram os dados das Unidades da Federação. A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, disse que a falha é muito séria. “Foi algo extremamente grave. Toda vez em que o IBGE erra, é nosso dever tornar isso público e pedir desculpas a toda a sociedade”, afirmou.

Já Olinto classificou o episódio como um “infeliz acidente”. Ele negou ter havido qualquer tipo de ingerência política e também descartou que a falha tenha sido fruto da greve ou da inexperiência de funcionários novos. Além disso, destacou que os dados passam por sete pessoas: “ Foi um infeliz acidente, estritamente técnico. As razões específicas do erro vão ser investigadas”. Quando indagado se houve interferência politica, afirmou: “Obviamente, não. Dados como a Pnad têm um embargo, com 48 horas de antecedência. O governo também participa desse embargo. Seria surrealista divulgar um dado para depois divulgá-lo sob pressão. Foi um erro técnico. Não há indício de pressão”.

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