Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Uma assembleia de 7 bilhões de euros e os seus pepinos

Vende ou não vende? Na sexta-feira, esta pergunta será novamente feita aos acionistas da Portugal Telecom (PT), que se reunirão em Lisboa. Na mesa, uma proposta de 7,15 bilhões de euros feita pela Telefónica pela fatia que possuem na Vivo, a maior operadora de telefonia celular do Brasil. A resposta, portanto, tem o poder de […]

Por Da Redação Atualizado em 31 jul 2020, 14h50 - Publicado em 11 jul 2010, 04h13

Vende ou não vende? Na sexta-feira, esta pergunta será novamente feita aos acionistas da Portugal Telecom (PT), que se reunirão em Lisboa. Na mesa, uma proposta de 7,15 bilhões de euros feita pela Telefónica pela fatia que possuem na Vivo, a maior operadora de telefonia celular do Brasil. A resposta, portanto, tem o poder de afetar três países.

Para a Telefônica, é vital controlar sozinha a Vivo. Poderá, assim, juntar sua operaçção celular (Vivo) com a fixa (Telesp), passo fundamental para a nova etapa de consolidação do setor — a Embratel e a Claro estão prestes a fazer o mesmo e a Oi já fez. Ganhará escala, sinergia e integração das plataformas fixa e celular.

Por isso, a insistência dos espanhois em fechar o negócio: desde que iniciaram as ofertas pela fatia da PT na Vivo já subiram de preço, já estenderam o prazo final para o “sim” dos portugueses, já ouviram muitos “nãos”. E, finalmente, no dia 30 de junho, quando parecia que botariam a mão na taça (afinal, a maioria dos acionistas da PT topou vender a Vivo), o governo português lançou a bomba atômica: a golden share, com a qual exerceu o direito de veto à proposta.

Uma semana depois, a União Europeia deu uma dura no governo de Portugal. Considerou ilegal o uso da golden share, por desencorajar investimentos de operadoras de outros países.  A condenação, na prática, é menos impactante do que parece. A UE já agiu da mesma forma em outros casos e nada aconteceu. Este, portanto, é um processo pode se arrastar por vários anos. Aparentemente, nos primeiros momentos o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, vai aproveitar e entrar em cena agitando a bandeira nacionalista que tem nas mãos.  Isso pode durar meses. Só recuará se vir que os dividendos políticos são pouco atraentes.

Além do “vende ou não vende?”, uma segunda pergunta fundamental estará sendo feita no mesmo dia 16, mas desta vez aos espanhois: “Prorroga ou não prorroga o prazo final de aceitação da proposta?”. Se for estendida para além do dia 16, como é provável, o negócio terá pela frente algumas semanas em banho-maria. A partir daí, entrará o fator tempo. O governo português pode até acabar se acertando com Bruxelas, mas pode fazê-lo no médio prazo. O tempo da Telefônica, por sua vez, é curto. O descompasso é evidente.

O cenário é complexo. Não existe solução fácil para o imbróglio. É preciso chegar a um acordo que seja uma saída honrosa para o governo português ao mesmo tempo que satisfaça PT e Telefônica. Pode parecer óbvio, mas não é fácil. A assembléia do dia 16 não deve definir nada de modo conclusivo, mas dará sinais importantes sobre o quanto a encrenca ainda  demora de a se resolver.

Continua após a publicidade
Publicidade