Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

MPF denuncia família inteira no esquema de corrupção do Porto de Itaguaí

Pais e esposas de três auditores também são réus

Por Evandro Éboli Atualizado em 10 fev 2020, 17h49 - Publicado em 4 fev 2020, 10h32

A denúncia do Ministério Público Federal que apontou um esquema de corrupção na alfândega do Porto do Itaguaí, com envolvimento de auditores da Receita Federal, mostrou a ação de quatro integrantes de uma mesma família. Outros dois auditores também envolveram seus pais e esposas.

Ao todo, são 15 os denunciados, sendo 7 auditores. Há acusações de corrupção passiva, corrupção ativa, facilitação de contrabando e prevaricação nas atividades na alfândega do porto, que fica em Sepetiba (RJ).

Segundo a denúncia, o esquema envolvia entrada irregular de produtos no país sem fiscalização ou em desacordo com as normas de regulamentação vigentes, inserções de informações falsas em notas fiscais relativas a valores e pesos, bem como a exigência abusiva de laudos técnicos para liberação de mercadoria, cobrando-se valores extorsivos, também sendo noticiada a cobranças de “taxas de urgência” e “caixinha” para pronta liberação das carga, que variavam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.

A denúncia foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal do Rio.

A auditora Cláudia Abreu Cavalcante, que foi lotada no porto entre 2005 e 2017, quando se aposentou, não foi a única de sua família indiciada. O MPF identificou atuação de seu pai (Clóvis Cordeiro Cavalcante), de sua mãe (Marília Lúcia Abreu) e do filho (Pedro Cavalcante dos Santos). Uma sócia do filho (Maria Silvia Mayrink Teixeira) também está na denúncia.

Continua após a publicidade

Os procuradores concluíram que a família de Cláudia Abreu teve expressivo aumento patrimonial. Ela teria usado o filho para blindar o patrimônio e doou oito imóveis para ele em 2015, sendo cinco obtidos naquele ano. Duas lojas – Kathmandu Confecção de Roupas Importação e Exportação e Maui Bar (um quiosque na orla da Barra) – foram parte do esquema de lavagem de dinheiro.

No período analisado, de 2011 a 2016 – em que tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados -,  ela e os familiares movimentaram em suas contas R$ 38 milhões no débito e R$ 38 milhões no crédito. Claudia, sozinha, movimentou R$ 9,9 milhões em débito e R$ 9,8 milhões em crédito. Seu filho teria movimentado R$ 6 milhões (débito) e R$5.9 milhões (crédito).

O advogado Gabriel Miranda Moreira dos Santos, que defende os cinco, disse que o processo está ainda numa fase muito preliminar e garante que irá provar a inocência de todos os citados durante o curso da ação.

“Durante a ação, vamos mostrar que não houve cometimento de crimes”, disse Gabriel Santos ao Radar, na semana passada.

O auditor Expedito Antônio Júnior também envolveu seus pais – Expedito Antônio e Noêmia Daflon Antônio. Ora inseria os pais como seus dependentes ora não. Nos seus bens suspeitos aparece uma moto de 1.000 cilindradas. Entre os negócios feitos com seus pais, está a compra de objetos de decoração e eletrodomésticos de alto valor.

Radar tentou ouvir Expedito e filhos, e os demais citados, por intermédio da Receita Federal no Rio, onde estão subordinados. Nominou todos. Mas o órgão respondeu que tomou suas atitudes e afastou os envolvidos dos cargos de chefia. Os outros citados também não foram localizados.

Continua após a publicidade
Publicidade