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Fiocruz vê risco de país ainda ter ‘dezenas de milhares’ de novos óbitos

Em boletim com balanço dos seis meses da pandemia da Covid-19, fundação diz que faltou 'coordenação nacional' na crise

Por Evandro Éboli - Atualizado em 15 out 2020, 15h56 - Publicado em 15 out 2020, 15h40

Vinculada ao governo, a Fundação Oswaldo Cruz produziu uma espécie de balanço de seis meses de pandemia no Brasil.

Batizado de “Boletim Observatório Covid-19”, o documento faz críticas abertas ao trabalho do Ministério da Saúde durante o período de emergência.

A fundação diz que faltou “coordenação nacional” por parte do ministério de Eduardo Pazuello — mas também liderado por Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich durante o pico da crise — no combate à doença e pecou-se por investir em estruturas e não no Sistema Único de Saúde.

“A ausência de uma coordenação nacional para mitigar desigualdades e otimizar processos de compras de equipamentos e insumos necessários, em um cenário de grande competição global, levou estados e municípios a implementarem suas próprias soluções, muitas vezes competindo entre si. Pecou-se com frequência pelo investimento em estruturas temporárias contra o fortalecimento de estruturas permanentes do SUS”, diz o boletim da Fiocruz.

Ao tratar dos 5 milhões de casos registrados no Brasil  e dos mais de 150.000 óbitos, o boletim faz uma previsão pessimista para o país, se a pandemia persistir nos próximos meses: “A permanência da pandemia nos próximos meses pode acrescentar algumas dezenas de milhares de novos óbitos no país”.

Outra crítica do boletim refere-se ao fato de a maioria dos pacientes com Covid-19 não precisar de internação. Assim, entendem os autores do boletim, que faltou investimento na atenção primária e na sua integração com a vigilância em saúde, “além da ampliação da testagem da população para que se pudesse implementar ações mais efetivas de isolamento”.

“Os resultados até aqui revelam graves problemas no desempenho do sistema de saúde, com elevada mortalidade por Covid-19 denotando problemas de acesso e baixa capacidade de integração da rede de serviços. Parte das estruturas adicionadas ao sistema foram implementadas com atraso, tendo importantes cidades brasileiras experimentado evidente sobrecarga sobre o sistema de saúde”, diz o documento.

Nem tudo é crítica. A Fiocruz destaca o crescimento do número de leitos de UTI para adultos no país, que passaram de 30.774 para 52.911 (71,9%); da quantidade de respiradores/ventiladores em uso, de 61.772 para 78.137 (26,5%); e do número de tomógrafos em uso, de 4.883 para 5.191 (6,3%).

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