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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Da ‘amputação de pênis’ ao ‘voto impresso’, causas perdidas de Bolsonaro

Presidente coleciona episódios em que usou politicamente ministérios do governo para questões pessoais, brincadeiras e outras aventuras

Por Robson Bonin Atualizado em 30 jul 2021, 16h20 - Publicado em 30 jul 2021, 16h09

Jair Bolsonaro já submeteu seus ministros a inúmeros constrangimentos. No início do governo, por exemplo, chamou Abraham Weintraub para uma coletiva de imprensa em que anunciou ter dado uma “importante missão” ao então chefe do Ministério da Educação. Nada sobre aprimorar o Enem ou melhorar as condições de ensino país afora. Bolsonaro disse que o seu ministro da Educação iria se dedicar, dali em diante, aos alarmantes casos de “amputação de pênis” no país.

O presidente, no meio do expediente, decidira pegar seu ministro mais próximo naqueles tempos para fazer piada com a imprensa. “Tudo que eu falo vocês publicam”, diria ele em outra oportunidade.

Nesta quinta, Bolsonaro decidiu ocupar o tempo do país e meter outro ministro do seu governo numa constrangedora situação. O chefe da Justiça, Anderson Torres, precisou largar todos os assuntos realmente importantes da pasta que comanda — do combate ao crime organizado a ações de segurança pública, passando por refugiados, direito do consumidor… — para figurar na live do voto impresso. Bolsonaro usou Torres, oficialmente um dos interlocutores do Judiciário no governo, para descredibilizar a Justiça Eleitoral.

O presidente prometia mostrar provas de fraude na urna. Começou a exibição apresentando ao país um assessor qualquer do Planalto como “analista de inteligência”, na verdade, um coronel da reserva que já servira a um de seus ministros no Planalto — não em inteligência. O conteúdo da live já é conhecido e só provou uma coisa, a ausência de fatos em poder do presidente para desqualificar a urna.

A presença do ministro da Justiça no falatório presidencial, no entanto, mostra como o aparelhamento das áreas do governo, para coisas sérias ou bizarras como o caso da amputação, compromete as ações realmente necessárias ao país. Torres é o chefe da Polícia Federal. Se não consegue esquivar-se de um espetáculo como o desta quinta, imagine-se que outras demandas não recebe no dia a dia.

Exemplos em outras áreas do governo não faltam… Na Saúde, a turma corria atrás de cloroquina enquanto esnobava ofertas de vacina da Pfizer. No Itamaraty, Ernesto Araújo frequentava churrascos com Bolsonaro na embaixada dos Estados Unidos, mas não tinha coragem de telefonar ao embaixador da China para pedir a liberação de insumos para a CoronaVac. E assim segue o país.

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