Clique e assine a partir de 9,90/mês
#ProntoFalei Por Mario Mendes

Meditabundos

É impressão minha ou todo mundo anda meditando?

Por Mario Mendes - Atualizado em 30 jul 2020, 20h51 - Publicado em 14 jun 2017, 20h46

É impressão minha ou todo mundo anda meditando? Pode até ser que eu só esteja me dando conta agora de alguma onda “muito 2016”, mas de uns meses para cá tenho observado vários artigos sobre o assunto, posts nas mídias sociais, celebridades de diversos calibres – das inevitáveis Kardashians até Juliana Paes – e mesmo pessoas mais chegadas declarando que a meditação está mudando, já mudou ou vai mudar algo em suas vidas. Para melhor.

Lembro que a meditação – que em seu sentido mais profundo é um “exercício espiritual que prepara para a contemplação” – esteve muito na moda junto com as batas de algodão, o hábito de queimar incenso, o som da cítara de Ravi Shankar, a leitura dos romances Sidarta e Os Caminhos de Katmandu. Tudo depois que os Beatles foram para a Índia e, na volta, gravaram aquele disco com um monte de gente na capa.

Mas parece que esse não é o caso agora. Em tempos disruptivos e de resiliência, a bata indiana virou moletom com capuz, queimar incenso é coisa de tiozinho maconheiro, ninguém mais sabe quem foram Ravi Shankar, Herman Hesse ou René Barjavel e o tal LP dos Beatles já fez 50 anos. Então a meditação agora é prática de resultados.

Leio que o Google, o grande irmão, tem seu próprio programa de meditação que, além de deixar o staff atento e forte para para enfrentar competição, metas e  prazos, facilita a conexão interior de cada um a fim de descobrir e estimular a IE (Inteligência Emocional). Ou seja, os funcionários se tornam mais produtivos e a empresa pode esperar uma alta no faturamento.

Continua após a publicidade

Estressado? Derpimido? Com dificuldade para dormir, sentimento de rejeição ou pensamentos negativos? Seus problemas acabaram. Basta começar hoje mesmo a praticar a Yoga do Riso, um programa de meditação e exercícios para você… rir ou, quem sabe, até gargalhar. Tudo baseado em estudo científico que aponta para o fato do corpo não diferenciar o riso falso do verdadeiro e, assim, obtém os mesmos benefícios fisiológicos e psicológicos disparados tanto pelo riso enlatado de sitcom americana como da risada espontânea à bandeiras despregadas – segundo pesquisas realizadas em Bangalore, na Índia. Depois de ler isso no site da Universidade da Yoga do Riso (?!), ri gostoso por uns bons cinco minutos. Mesmo sem precisar me submeter ao método. Só não sei se o efeito benéfico obtido em Bangalore também vale para a Grande São Paulo.

Finalmente vejo no noticiário da TV a cobertura de um evento chamado Virada Sustentável que, entre outras atividades à disposição dos visitantes interessados em sustentabilidade, há uma Oficina de Meditação. Não me aprofundei no assunto mas também achei muito engraçado. E concluí que, pelo menos neste inverno, a meditação é o novo preto.

Com licença, vou até ali dar uma meditadinha básica.

Publicidade