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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Versão fake de uma história com nomes trocados

Coisas do Brasil

Por Ricardo Noblat Atualizado em 30 jul 2020, 18h55 - Publicado em 20 Maio 2020, 09h00

Entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2002, um delegado da Polícia Federal, petista enrustido e amigo de longa data de Lulinha, o filho mais velho de Luiz Inácio Lula da Silva, procurou-o para dar um recado importante: em poucos dias haveria uma operação policial que poderia pôr em risco a vitória quase certa do seu pai sobre o candidato do PSDB, o ex-ministro José Serra.

As pesquisas de intenção de voto davam a Lula uma larga vantagem. Mas como ainda faltavam duas semanas para a eleição, um escândalo, àquela altura, só beneficiaria Serra. O risco, portanto, deveria ser evitado. O delegado garantiu que daria um jeito de adiar a operação. Contava com apoio superior para isso. Mas Lula deveria tomar suas providências – entre elas, demitir alguns assessores suspeitos.

A luz vermelha acendeu no alto comando da campanha de Lula. Há dias que o programa de propaganda eleitoral de Serra anunciava que algo de muito interesse “para a família brasileira” seria revelado na próxima edição dominical do programa. O que haveria de ser? O que o delegado antecipara? Ou seria a história de que, anos atrás, Lula fora fotografado com uma moça sentada no seu colo em Manaus?

Na dúvida, um deputado do PT, amigo de Serra e de Lula, foi despachado às pressas para São Paulo ao encontro do candidato do PSDB. Os assessores suspeitos de envolvimento com dinheiro público desviado para a campanha, foram imediatamente retirados da folha de pagamento do PT e, em seguida, desapareceram. Serra garantiu que não tinha denúncia alguma a fazer. E de fato não fez.

Mesmo assim, Lula e Lulinha viveram dias infernais até a eleição passar. Sabiam que uma vez eleito, Lula só poderia ser processado por crimes cometidos no exercício do cargo. Com o pai eleito, Lulinha poderia realizar seu sonho de tornar-se um próspero empresário. Gostava de jogos eletrônicos. Quem sabe não seria esse o seu nicho de mercado? Essa história nunca veio a público.

Imagine se tivesse vindo depois da posse do primeiro operário eleito presidente da República do Brasil… Ele completaria o mandato? Seria alvo de um processo de impeachment? Ou o PSDB de Serra, Fernando Henrique Cardoso e outros nomes ilustres e de bons modos apostariam que o melhor seria deixar Lula sangrar no cargo para que, enfraquecido, acabasse derrotado na próxima eleição?

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