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Ricardo Boechat: o jornalista, o filho de dona Mercedes e o general Heleno

O general Augusto Heleno no velório de Ricardo Boechat

Por Vitor Hugo Soares 16 fev 2019, 13h00

Representante do presidente da República, Jair Bolsonaro (internado 17 dias no Hospital Albert Einstein antes de receber alta quarta-feira, 13, e voltar para o olho do furacão em Brasília), no velório do jornalista Ricardo Boechat,  o general Augusto Heleno, consternado, informa, analisa e arrisca projeções para o futuro. É terça-feira, 12 – dia seguinte ao estúpido e inesperado desastre de helicóptero que comoveu o País e, seguramente, produzirá abalos e sequelas, principalmente em parte considerável de sua imprensa, engolfada em intestinas e fúteis (ou interesseiras?) “batalhas ideológicas”.

Provado estrategista militar, comandante dos “Capacetes Azuis”, da ONU, em teste de fogo no despedaçado Haiti, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Governo (que já trabalhou na Band), até parece um profissional de redação, da TV, ou de rádio, ao falar sobre o morto: o profissional e o ser humano. E ao prever o impacto da ausência de Boechat nesta hora crucial de transição na vida política, econômica e governamental do Brasil.

A imaginação foge do Museu da Imagem e do Som/SP,  e conduz o jornalista para um voo nas asas dos versos de “Folha de Papel”, de Sérgio Ricardo, enquanto observo o movimento das pessoas na despedida – gente comum, misturada com nomes famosos da política, dos esportes, das artes e, principalmente, dos meios de comunicação pelos quais o incansável farejador de notícias, que se foi aos 66 anos, transitou, transversalmente, ao longo de décadas .  Com  talento, competência, garra, e a inigualável versatilidade em sua profissão:

“Olha só o que o vento faz com o papel/ e traga ele a notícia que for/ Vai voar… voar… Olha só/ Como a gente nem sabe onde está/ Nós somos o papel a voar/ Contemplando este mundo/ Tristonho, profundo”… Retorno do torpor do pensamento, com a voz do general Heleno falando sobre a morte  do notável ex-colunista e ex-chefe de Redação do Jornal do Brasil nos Anos 70/80, que conheci e de cujo saber bebi – igual a tantos profissionais no jornalismo brasileiro – naquele tempo em que eu também trabalhava no JB.

Repita-se,  quantas vezes sejam necessárias, o que disse o general Heleno no MIS: “É uma perda irreparável. Boechat era referência para o jornalismo, muito inteligente, articulado. Vamos sentir falta da palavra dele. O presidente ficou muito triste. Sentimos muito esse desfalque. Eu tive muito contato com ele porque trabalhei na Band. Ele é um ícone, por tudo o que fez e representava. Ele tinha honestidade intelectual, que está em falta hoje em dia”.

Mais significativas e comoventes só as palavras de dona Mercedes Carrascal, 86 anos, também no MIS, ao lado do caixão , ornamentado com inscrições TAXI: “Gente, isso é maravilhoso! Agora sim é o caixão de Ricardo. A cara do meu filho, de quem tenho muito orgulho, simples, corajoso e que tratava com igual carinho e respeito a todos. Um homem honesto e de simplicidade profissional, que não fazia as coisas solicitando recompensa. Fiquei de boca aberta com os depoimentos das pessoas, de todas as classes sociais, sobre meu filho”, disse  a fabulosa mulher que nos faz entender, ainda melhor, na despedida, a origem da grandeza e da relevância do filho.

Partiu Boechat! Toca o barco, como ele pedia diariamente na Band. E viva Dona Mercedes!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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